Cidades
Reurbaniza��o longe de ser concretizada
Sidney Tenório Repórter Abandono e descaso. Com apenas essas duas palavras é possível descrever a situação das centenas de famílias que moram na orla lagunar de Maceió. No local faltam infra-estrutura e políticas públicas e sobra violência. Enquanto crianças brincam no esgoto e se banham na água poluída da Lagoa Mundaú, órgãos do governo do Estado e da Prefeitura de Maceió fazem um jogo de empurra para saber de quem é a responsabilidade pela área, onde as belezas naturais dividem o espaço com favelas e obras públicas abandonadas. ### Famílias devem ir para o Bom Parto Um dos entraves para o início da segunda etapa do projeto de reurbanização da orla lagunar é a existência de favelas na beira da Lagoa Mundaú. As famílias de pescadores que residem no local devem ser transferidas para um conjunto habitacional que será construído na localidade Flexal de Baixo, no bairro do Bom Parto. Aqueles que trabalham em outras atividades deverão ocupar casas que serão construídas no Tabuleiro do Martins. ### Monumento virou área para consumo de droga Um espaço que foi construído para ser palco de eventos religiosos. Essa é a resposta dada pelos moradores da orla lagunar quando são indagados sobre o Monumento ao Milênio, construído em 2004, no Dique Estrada. Entretanto, pescadores afirmam que não lembram o último culto que foi celebrado no local, que vem sendo utilizado por usuários de drogas. O pescador Ernandes Nicolau dos Santos, 41, revela que logo após a inauguração, fiéis de várias religiões estiveram no Memorial realizando cultos, mas que depois o local foi abandonado. ### Orla lagunar fica fora de roteiro turístico Apesar de ser considerado um dos locais mais belos de Alagoas, o trecho da Lagoa Mundaú que banha Maceió, conhecido por Dique Estrada, está fora de qualquer roteiro turístico preparado por agências e pela própria Secretaria Municipal de Turismo. A avenida que margeia a orla lagunar é até evitada por ônibus que conduzem turistas pelas ruas da capital. A secretária de Turismo de Maceió, Cláudia Pessoa, admite que, do jeito em que está hoje, a orla lagunar não tem a menor estrutura para receber o turista. ### Poluição na lagoa, droga e violência em terra firme Outro problema que atormenta a população que vive na orla lagunar é a poluição das águas da Lagoa Mundaú. O último levantamento feito pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), no mês de maio, aponta que em alguns trechos o índice de coliformes fecais é de 16 mil em cada 100ml de água, quando o ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde, é de no máximo mil. Apesar da poluição, a necessidade faz com que crianças e adolescentes entrem na água para retirar sururu. ///