Cidades
Adutora do Agreste ter� vaz�o ampliada
Fernando Vinícius Repórter São Brás ? Poucas coisas causam mais aborrecimentos no ambiente doméstico do que a falta d?água. Sem ela, a dona-de-casa tem que buscar alternativas para dar conta dos serviços diários, ao tempo em que a família é obrigada a reduzir o consumo para fazer a higiene pessoal. Transtornos desse tipo já fazem parte da rotina de cerca de 350 mil habitantes espalhados entre dez municípios da região Agreste, em sua maioria moradores de Arapiraca, cidade-pólo onde as estimativas de população chegam a 200 mil pessoas. ### Adutora de aço demorou dez anos para ser concluída São Brás ? A Adutora do Agreste é uma obra idealizada e executada pelo ideal desenvolvimentista do governo militar brasileiro. Edificada sobre um paredão de pedras situado às margens do Rio São Francisco, a Estação de Tratamento Prof. Afrânio Lages foi concluída em 1974, durante a vigência da ditadura. Chamada pelos funcionários de ?adutora velha?, sua tubulação é feita de ferro, estrutura responsável por apenas 36% da vazão atual que atende especificamente as zonas urbana e rural de Feira Grande, Lagoa da Canoa, São Brás e Olho d?Água Grande. ### Serviço atrasa mais para consumidores do fim da rede Arapiraca ? Não importa se a falta d?água é para realização de reparos no sistema ou por escassez de recursos hídricos. Quem mora em cidades ou povoados localizados no fim das redes de abastecimento, terminais das ramificações da Adutora do Agreste, espera mais do que os outros. Residente em Coité do Noia, o caminhoneiro José Eraldo da Silva, 47, afirma que só terá o líquido em sua casa quatro dias após o prazo divulgado pela Casal. ### Reservatórios solucionam problema Arapiraca ? A falta de água afeta mais os usuários situados na ponta da rede de abastecimento. Até mesmo para os que moram em frente a um rio, como o Poções, que corta a comunidade situada a menos de quinze minutos do centro comercial de Arapiraca. O líquido impróprio para o consumo humano e até para fins de irrigação obrigou o agricultor José Antônio dos Santos, 43, a comprar dois reservatórios para manter o abastecimento de sua casa. São duas caixas d?água com capacidade para armazenar até mil litros cada uma. ### Cacimba é a salvação para muitos Arapiraca ? Maria Francisca dos Santos vive há 25 anos na Rua José Lins de Moura, bairro Boa Vista, Arapiraca. Residindo no fim de uma das redes da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), a idosa debulhava feijão verde sentada sobre a cobertura da cacimba que lhe salva quando falta água na torneira. Ela garante que a dona do recurso, sua vizinha, deixa os moradores da rua à vontade para lançar o balde no poço que existe desde que chegou no local, afirma. ///