Cidades
Fenacor denuncia fraudes em seguro
No Brasil, de cada 100 reais pagos de indenização a vítimas de acidentes de trânsito, 33 reais são desviados através de fraudes. Esse número, que também se repete em Alagoas, é considerado assustador pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), que acha que as fraudes acontecem por causa da falta de informações das vítimas, que geralmente são de famílias de baixo poder aquisitivo, que desconhecem o direito ao seguro, cujo nome real é Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (Dpvat). Para o vice-presidente da federação e presidente do sindicato local, Nelson Peixoto Feijó Filho, grande parte das fraudes acontece a partir de um procedimento legal, que é através do sistema de procuração. ?O resgate do seguro pela via de procuração não deveria ser permitido, porque muitas pessoas se aproveitam da boa fé das vítimas ou de seus familiares para aplicar o golpe?, afirma. ?Quando isso acontece, a indenização nunca chega às mãos do beneficiário?, diz ele, lembrando que a maioria das vítimas de acidentes de trânsito é o pedestre que não tem acesso a nenhum tipo de informação. ?Então, alguns aproveitam para tirar vantagens financeiras, ficando com o dinheiro da indenização?, ressalta, acrescentando que existem advogados e profissionais de outras áreas que vivem desse tipo de ?serviço?. Em boa parte dos casos, segundo Nelson Feijó, os beneficiários recebem apenas 20% do valor a que tem direito, quando recebem alguma parte. Na tentativa de reduzir o número de fraudes, o sindicato da categoria vem tentando colocar em prática a medida que exige que o processo de pagamento do Dpvat passe primeiro pela entidade para o posterior encaminhamento às seguradoras. ?Creio que isso reduziria as fraudes registradas através do sistema de procuração?, afirma o presidente do Sincor, acrescentando que já se tentou também acabar com o pagamento através de procuração. A proposta chegou a ser discutida com representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público e Polícia Civil, mas foi inviabilizada diante de mudanças administrativas no âmbito desses órgãos. ?Chegamos a realizar cerca de dez encontros, mas quando a medida ia sendo adotada, começou a transferência de promotores e delegados envolvidos na discussão para outros locais?, afirma ele, ressaltando que o acordo para ?acabar? com as procurações seria informal e que teria a anuência do Judiciário alagoano. ?Mas, infelizmente, a medida acabou não sendo implantada?.