Cidades
Sol produz 1.500 KW por metro quadrado
ROBERTO VILANOVA O Sol tem capacidade para gerar 1.500 kW (kilowatts) por metro quadrado, no Nordeste, segundo o Atlas Solarimétrico do Brasil. Em 100 quilômetros quadrados, o sol é capaz de produzir em energia 11 mil e 400 MW (Megawatts), mais do que todo o sistema da Companhia Hidrelétrica do São Francisco ? Chesf ? que produz 10 mil e 700 MW; mas a energia solar é cara, inacessível para a maioria da população e inviável economicamente, exceto se o governo federal subsidiar os custos de produção. Os projetos executados pela Fundação Teotônio Vilela no Sertão de Alagoas são simples e limitados ? apenas seis volts, energia suficiente apenas para dois bicos de luz. Não há potência para televisão, geladeira ou som estereofônico. ?É um candeeiro sem gás?, como definiu a professora Silvana Henrique, de Ouro Branco. O projeto instalado no povoado Cadoz, em Coqueiro Seco, a 30 quilômetros de Maceió, não durou seis meses. Todo dinheiro gasto foi perdido e a casa de força instalada à margem da Lagoa Mundaú, hoje funciona como poleiro para as galinhas do ex-coordenador do projeto na região. Motivo: falta de potência. ?A energia atrai geladeira, televisão, som e outros eletrodomésticos. Mas quando o pessoal ligou os aparelhos, a carga caiu?, conta dona Anunciada, que desistiu da energia solar três meses após a adesão ao projeto. ?A energia é fraca, não dá para acender três luzes?, disse. Para fornecer maior potência energética, o projeto exige investimentos que inviabilizam o sistema. Por exemplo: para obter uma potência de 110 volts, o consumidor gasta por mês 96 reais, considerando o preço mensal cobrado pela Fundação Teotônio Vilela para cada bateria, que é de 12 reais. No caso dos 110 volts, são necessárias oito baterias. Reação negativa Quem aderiu ao projeto, em Alagoas, quer desistir ? mais de cinqüenta já devolveram as baterias, cedidas em regime de comodato por dois anos. Se a Fundação Teotônio Vilela colocar em prática a cobrança das baterias, após dois anos de uso, o projeto será inviabilizado de vez. A reação negativa se generalizou, embora o agricultor Joaquim da Silva e o filho, Paulo, da Várzea dos Marinho, em Ouro Branco, admitam adotar os dois sistemas ? o convencional e o alternativo. Mas a idéia da Eco Engenho, uma ONG criada recentemente, para incluir a energia solar no projeto Luz no Campo, não tem o apoio dos sertanejos. ?A luz é fraca demais, não dá para mover um motor de bomba d?água?.