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Mananciais de Macei� amea�ados de secar / Parte I

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Valmir Calheiros Especialistas em recursos hídricos advertem para a necessidade de medidas urgentes com o objetivo de evitar que todos os mananciais da região de Maceió sequem e a população fique sem água potável em um futuro próximo. Eles observam que várias áreas vêm sofrendo com a escassez do produto e o caos será inevitável quando as águas das chuvas nos tabuleiros, principalmente onde estão o Distrito Industrial Luiz Cavalcante e os novos bairros com os conjuntos habitacionais ocupados por mais de 200 mil habitantes ? Salvador Lira, Benedito Bentes e outros das adjacências - forem drenadas para o Rio Jacarecica e daí para o mar, como está previsto no projeto das obras da macrodrenagem do governo do Estado. A macrodrenagem teve suas obras iniciadas há 15 anos, com a construção da primeira das quatro lagoas, cada uma delas com capacidade para receber 1 milhão de m3 ou um 1 bilhão de litros de água. O suficiente para garantir o abastecimento de uma cidade de 300 mil habitantes durante um ano, de acordo com a estimativa feita pelo diretor do Setor de Obras da Secretaria da Infra-estrutura do Estado, engenheiro José Mário do Nascimento. O próprio José Mário garante que, logo, com a conclusão da macrodragem, onde serão investidos R$ 48 milhões, as enchentes nos vários bairros e conjuntos residenciais do Tabuleiro, bem como no Distrito Industrial, deixarão de existir. ?Foi com esse objetivo que o projeto foi elaborado pelo governo do Estado que o assumiu. E graças à administração atual, a sua conclusão não mais será um sonho, e sim, uma realidade, com recursos da União, através do Ministério da Integração Nacional, com a contrapartida de 10% do Estado?. O projeto Até agora a macrodrenagem já consumiu R$ 17 milhões, sendo que apenas R$ 4,8 milhões foram aplicados no governo passado. O seu projeto consiste na construção de nove lagoas e de um túnel NATM (novo método de túnel australiano). Elas serão localizadas na região dos Tabuleiros, cobrindo uma área de 50.000 km2. Receberão as águas das chuvas, que terminarão no mar, para aonde elas serão drenadas pelo túnel de três metros de diâmetro, profundidade média de 35 metros, e 2, 3 mil metros de extensão até o Rio Jacarecica, na parte norte da cidade. O diretor de obras da Seinfra garante que o projeto foi reestudado para adequá-lo às condições ambientais da região. ?Não haverá problemas na região de Jacarecica com as novas águas que o rio receberá do Tabuleiro. Com essa providência, haverá o controle da vazão das águas. Cuidaremos do desassoreamento do Rio Jacarecica e a retificação da sua calha. Nada será pior do que tem sido até agora?, garante José Mário. As ressalvas Todos os engenheiros e um geólogo que entrevistamos consideram o projeto da macrodrenagem importante e indiscutível quanto ao aspecto técnico, como um dos maiores empreendimentos dos últimos anos no Estado. E também concordam que não haverá mais enchentes na região dos Tabuleiros com a macrodrenagem. Porém, defendem a manutenção das águas dessa mesma região onde elas se acumulam e alimentam os lençóis subterrâneos responsáveis por 80% do abastecimento da população maceioense. Alertas antigos Se esses lençóis forem ainda mais atingidos do que já vêm sendo, Maceió não terá como evitar verdadeira seca, ?uma vez que essas mesmas águas, conforme explica o engenheiro especialista em águas de superfície e professor da Universidade Federal de Alagoas José Vicente Ferreira Neto, - alimentam as nascentes dos rios desta nossa região, como o próprio Jacarecica, Reginaldo, Pratagy, Riacho do Senhor. Sem esquecer os riachos da Saúde, e o Viação, que contribui com 20% da oferta de água de nossa Capital pelo Sistema Catolé?. José Vicente é também docente em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de São Paulo, e tem seu ponto de vista reforçado por Abel Tenório Cavalcante, geólogo, com especialidade em águas subterrâneas e consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) junto à Secretaria de Recursos Hídricos do Estado que acrescenta: ?Toda essa região é uma bacia evaporimétrica de cerca de 50km2 onde as águas ficam represadas ou evaporam ou infiltram no solo. Mas ela vem sendo cada vez mais ameaçada pela superexploração, pela má utilização de suas potencialidades, apesar das advertências feitas ao longo dos anos, a partir da década de 60, com o maior crescimento da cidade em direção aos tabuleiros, com o surgimento do Distrito Industrial e a construção dos conjuntos habitacionais transformados em novos bairros? . Ao mesmo tempo, Tenório ressalta que esse processo de desenvolvimento não ocorreu com o indispensável planejamento. ?Lamentavelmente, não houve os necessários estudos em relação aos impactos decorrentes de vários fatores com as novas ruas, a construção de casas etc que concorrem para a impermeabilização do solo. Faltou planejamento quanto à ocupação do solo, considerando as características morfológicas na área. Justamente onde sempre existiram lagoas que eram cobertas pela vegetação e só passaram a ser notadas com as inundações nas épocas invernosas com a implantação do Distrito Industrial e das novas e intensas ocupações pela população ali registradas nos últimos 40 anos. Como o Salgadinho Como se esses problemas já não bastassem, a população sofre o agravamento deles, que tem sido causado pelo desmatamento e a utilização das águas com poços artesianos desordenamente. Abel Tenório informa que, por causa de tudo isto, o rebaixamento do lençol freático terminou chegando aos preocupantes níveis atuais e atingirá 50 metros nos próximos 20 anos, fazendo com que os rios que contemplam a Grande Maceió se tornem intermitentes, passando a terem água somente nas épocas invernosas, como já acontece, por exemplo, com o Riacho Salgadinho, cuja nascente fica no Tabuleiro.

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