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Povoado surgiu e sobrevive com a rodovia

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ROBERTO VILANOVA Carié ? As terras que pertenciam ao fazendeiro Gentil Malta de Albuquerque foram divididas na década de 1970, primeiro para dar lugar à rodovia BR-423, ligando Garanhuns, em Pernambuco, a Paulo Afonso, na Bahia; depois, para fundação de pequenas fazendas e sítios, até o surgimento do povoado do Carié. Severino José da Silva, 55, mais conhecido por Bida, é o único borracheiro do povoado e um dos quatro primeiros moradores, instalados no começo da década de 1970. Bida recorda que, no início, as dificuldades e o isolamento quase o fazem desistir. ?A gente ficava isolado aqui, só ouvindo o barulho dos bichos na caatinga?, diz sem saudade. Os pioneiros Enfrentando as dificuldades e acreditando que o povoado iria crescer, os pioneiros resistiram e ajudaram a fazer a história do Carié. O povoado vive da prestação de serviços aos que trafegam pela BR-423; quem não está no comércio, sobrevive da roça. Se nem tudo são flores, também não há do que se queixar, nem mesmo pela violência dos assaltos na rodovia; o povoado é privilegiado, tem um posto da Polícia Rodoviária Federal e, a 20 quilômetros, na divisa de Alagoas com Pernambuco, foi instalado o batalhão da Polícia Militar. ?Isto inibe os assaltantes?, admite Adão Queiroz Sandes, dono da Churrascaria Paraíso. Bida, que tem uma borracharia vizinha à churrascaria, concorda ? a situação melhorou muitos nos últimos meses, graças à intervenção da polícia. A rodovia corta 100 quilômetros do território alagoano, por ela trafegam ônibus e caminhões que vêm do sul e do norte do País. Esse movimento gera negócios e desenvolve o povoado. Adão e Bida, testemunhas e protagonistas desse desenvolvimento, vêem o futuro com pensamento positivo. Referência Até mesmo a Usina Utinga Leão manteve negócios no povoado, com a criação de gado de corte numa fazenda que possuía campo de pouso e área de confinamento. A antiga fazenda de 15 mil tarefas, pertencente a Gentil Malta, transformou-se no povoado do Carié e virou referência para quem trafega pelas BR-316 e 423. Lá está o entroncamento das duas rodovias, que ligam as principais cidades do agreste e sertão baiano, pernambucano, alagoano e sergipano. A nova geração, ou seja, os jovens, já são maioria no povoado; dos mais velhos, pioneiros, restaram Bida, Adão e Eva, ?mais um ou dois?, diz o borracheiro sem saber precisar quanto ainda resistem. Os jovens dispõem de transporte escolar para Santana do Ipanema e Canapi; o problema é a falta de opção de emprego ? quem não consegue colocação no mercado, frustra-se e entrega-se ao vício da embriaguez. Por isso, Eanes, um dos filhos de Adão e Eva, defende a criação de um terminal rodoviário, para servir de apoio a passageiros e motoristas; a construção de um posto de saúde e posto policial. O dinheiro que circula no Carié, com exceção dos empréstimos agrícolas, chega de caminhão, de ônibus ou carro de passeio. E é para esses que Eanes defende a infra-estrutura, mostrando que tem visão de mercado. ?Esse local é estratégico, porque se liga por rodovia com quatro Estados, quatro capitais e mais de cinqüenta municípios de médio porte. Precisamos do apoio do governo para tocar esses projetos?, completou Eanes.

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