Cidades
Macei� tem 46% de pessoas que vivem na linha da mis�ria
Bleine Oliveira Repórter Quem são e onde estão os pobres de Maceió? A resposta vem fácil, bastando apenas percorrer a periferia da cidade, capital do Estado mais desigual do País. Estimativas de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), confirmadas pelo governo municipal, revelam que quase metade da população de Maceió, cerca de 46% dos habitantes, vive à margem da sociedade. São excluídos, quase clandestinos. O percentual representa um total de 379 mil 630 pessoas, de acordo com dados preliminares da contagem populacional feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram a capital alagoana com 825 mil 264 habitantes. ### Moradores desconhecem direitos Nem o garçom nem a dona-de-casa sabem que moradia é um direito constitucional. Trata-se de um direito social previsto na Emenda Constitucional nº 26, de 14/02/2000. A emenda define como direitos sociais, entre outros, educação, saúde, trabalho, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade. Em Maceió, como nas grandes cidades brasileiras, a realidade das favelas, encostas e aglomerados transforma cidadãos em vítimas da histórica violação de seus direitos sociais e humanos. Em 2002, em Joanesbusgo, na África do Sul, durante a Conferência das Nações Nações Unidas denominada Rio + 10, o Brasil lançou a Agenda 21 Brasileira, onde, entre outros, assumiu o compromisso de oferecer habitação adequada a seus cidadãos. ### Famílias não acreditam em dias melhores Na favela de Jaraguá o cenário de degradação vem se agravando ao longo das últimas décadas. O que se vê hoje, ali, é lixo por toda parte, crianças descalças, expostas à fedentina do ambiente cujo ar mistura o cheiro do peixe tratado no chão e do esgoto (fezes) acumulado no leito das ruas estreitas. Numa dessas ruas mora Gedalva Santos, 34, quatro filhos. ?Nasci e me criei aqui. Nunca vi nada mudar?, afirma ela, sentada no Bar da Neném, que é sua mãe, enquanto observa a passagem dos carros na Avenida Major Cícero Cavalcante, importante corredor de transporte em direção à orla marítima. ### Solução passa pelo fim da pobreza Pesquisadora da realidade sociourbana do Estado, a professora Taís Normande lembra que Maceió, como outras cidades brasileiras, passou por acelerado ritmo de urbanização a partir da década de 60. Mestra em História, ela afirma que ?a elevação do índice de crescimento demográfico de Maceió foi decorrente, sobretudo, da absorção do movimento migratório ocorrido no Estado, onde enormes contingentes de trabalhadores rurais foram expulsos do campo?. ///