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Redescobrindo a alegria de viver

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Vitória Alcântara Repórter O medo de voltar a ficar entalada na catraca do ônibus fez Regina chorar algumas vezes. Rosivaldo fala com um nó na garganta sobre as piadas que os amigos fazem dele. O sonho de Adriana é simples: entrar em uma calça jeans. Tudo o que Petrúcio queria era poder enrolar a toalha na cintura após tomar um banho. O que para grande parte da população são gestos rotineiros, quase mecânicos, para estas pessoas significam mudança de vida. Elas têm o que os médicos chamam de obesidade mórbida, que acontece quando o índice de massa corpórea (IMC), considerado normal entre 18,5 e 25, ultrapassa 40. Nesses casos, quando a pessoa já tentou sem sucesso vários tratamentos para emagrecer, a opção é a cirurgia bariátrica, popularmente chamada de redução de estômago. ### Mais de 300 pessoas estão na fila de espera do HU As primeiras cirurgias bariátricas no mundo foram feitas em 1954. No Brasil, a técnica de redução da capacidade do estômago começou a ser realizada a partir da década de 80. Considerada uma medida drástica e intervenção delicada, vem sendo cada vez mais usada no País. Resultado da escalada cada vez maior da obesidade na sociedade brasileira. Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), tendo com base pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que em 30 anos a população de pessoas acima do peso passou de 17% para 41%. ### Cirurgia não é milagre, alerta médico O médico Alberto Fontan, diretor-técnico do Hospital Universitário (HU), explica que a cirurgia bariátrica realizada no HU utiliza a técnica Fobbi-Capela ? assim chamada em homenagem aos médicos que a criaram ?, que consiste em reduzir o estômago a mais ou menos 300 ml e em desviar o trânsito intestinal, fazendo com que a absorção dos alimentos diminua. ?Apesar de ser uma cirurgia de grande porte, o índice de mortalidade é de apenas 1%. É um procedimento que dura cerca de duas horas, seguro e com rápida recuperação do paciente?, ressalta Fontan. ### Justiça assegura tratamento e remédios para operados Em Alagoas, o município de Maceió e o Estado deverão providenciar balões intragástricos solicitados pelo Hospital Universitário para os pacientes que se preparam para cirurgia de redução de estômago. A determinação foi do juiz da 1ª Vara Federal, Leonardo Resende Martins, ao julgar o mérito da ação civil pública proposta em março de 2005 pelo Ministério Público Federal de Alagoas (MPF/AL), para garantir o tratamento de obesos mórbidos. A sentença foi proferida no dia 13 de agosto e o prazo de 60 dias para ser cumprida começou a contar desde 24 de setembro. ### Pacientes se superam em busca de saúde Extrovertida, a cabeleireira Adriana Oliveira, 27, conquista amigos com um sorriso franco e espontâneo. Tímida, a técnica em enfermagem Elisângela Nascimento, 33, se deixou contagiar pela alegria de Adriana e logo se tornaram amigas. As duas se conheceram em agosto de 2006, quando começaram a freqüentar um dos grupos de Apoio aos Portadores de Obesidade Mórbida (Gapom), do Hospital Universitário (HU). Ambas buscam uma vida mais saudável e longe da discriminação que sofrem desde que se tornaram obesas. ?Quando quero algo vou atrás até conseguir?, garante Adriana. ### ?Posso ir em frente na minha vida? De um pesadelo, a dona-de-casa Regina Temóteo, 44, casada e mãe de quatro filhos, já se livrou. Não fica mais entalada na catraca do ônibus. ?Eu chorava quando via meu marido passar e eu não podia acompanhá-lo porque poderia ficar presa na catraca do ônibus. Era horrível?, relata com voz pausada e baixa. Mas foi em um ônibus que ela conheceu uma outra obesa, que a aconselhou a procurar o HU e se informar sobre a cirurgia de redução de estômago. Operada desde maio de 2005, Regina saboreia a conquista de ter emagrecido 40 quilos e hoje pesar 85. ///

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