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Desempregados faturam em �nibus

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Lelo Macena Repórter Quando aquele cara pequeno e maltrapilho sobe no ônibus, os passageiros já se preparam para ouvir a mesma ladainha de sempre. Uns já viram a cara para a janela e tratam de ignorar a curiosa figura. Mas o ?Baixinho?, como já ficou conhecido, surpreende. Cara de tédio peculiar aos artistas consagrados, ele logo toma seu ?posto de trabalho?. Sentado nos degraus da porta traseira do coletivo, ele saca de uma bolsa velha seu triângulo e inicia o show, que vai durar o tempo de três paradas. Cheio de ritmo, com o pé direito batendo no piso do ônibus, ele reproduz uma zabumba bem marcada. ### Nos ônibus, dificuldades ficam para trás Antes de se converter a uma igreja evangélica e decidir vender jujuba dentro dos ônibus, José Cícero da Silva Filho, 21 anos, pintou o sete. Foi menino de rua, assaltou, usou vários tipos de drogas e perturbou muito os moradores da cidade do Pilar, onde mora. ?Agora a minha vida é essa: trabalhar e louvar ao senhor?, diz Cicinho, como é conhecido no Pilar. Analfabeto, Cicinho diz que também não entende de matemática, mas calcula que lucra em média R$ 10 por dia. Dentro do ônibus, disfarça a tragédia de vida e se mostra simpático ao oferecer suas ?deliciosas jujubas? a preço ínfimo. ### Criatividade é arma contra concorrência Por trás de balinhas de coco, jujubas e todos os produtos vendidos ou trocados por vales-transporte nos coletivos se escondem exímios comerciantes. Nessa guerra, a criatividade e a forma de apresentar o produto são armas que fazem a diferença. ?Cada um tem o seu papo. Tem uns que falam de um jeito, outros que nem sabem falar direito. Alguns que falam uma coisa só sempre e o povo já está enjoando. Esse papo de ?gente, vamos fazer um acordo? Quando eu disser boa tarde, vocês respondem boa tarde, pra eu não passar vergonha? já abusou?, diz Rafael Cavalcante Silva, 29, considerado pela ?categoria? como a melhor ?lábia? do comércio clandestino dentro dos ônibus. ///

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