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Curso oferece o “imposs�vel” em 4 meses

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| Carla Serqueira Repórter Ao saber que a reportagem já tinha chegado e gostaria de falar com ele, João Fernandes de Albuquerque, 40 anos recém completados, moreno, de bigode e dono de uma adiantada calvície, largou as ferramentas de sua serralheria, na Rua Íris Alagoense, no Farol, escolheu uma camisa de mangas longas, uma calça de linho escura, tomou banho apressado e se apresentou sorridente. Ele estava pronto para servir de exemplo. Voltou a estudar há cerca de um mês. Vai concluir o ensino médio. Foi uma brincadeira impensada de adolescente que o separou do diploma por 26 anos. ### Conselho alerta para ilegalidade Também na peleja para recuperar o tempo perdido e seguir seguro no emprego, um outro aluno do mesmo cursinho preparatório contou sua história na condição de não revelar o nome e nem ser fotografado. O rapaz, que trataremos aqui como Paulo, no alto dos seus 33 anos, disse que enganou o patrão para não perder a oportunidade de trabalho. ?Até hoje ele pensa que eu tenho o 2º grau completo?. É gerente de uma loja de material de limpeza há um ano e meio. ?Perdi de arriscar a sorte em quatro concursos?, lamenta. Ele desistiu da escola em 2002, faltando apenas um ano para concluir o ensino médio. ### Candidatos pagam R$ 170 por mês Em Alagoas, o batalhão de adultos que abandonaram a escola ainda criança é grande. Os matriculados no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), da rede estadual, com duração de um ano e meio, em média, somam, de acordo com o último censo escolar do Ministério da Educação, 108.627 estudantes, com 15 anos ou mais de idade. É quase a mesma quantidade de alunos matriculados no ensino médio, em idade escolar normal (139.288). De acordo com estudos do governo federal, a taxa de analfabetos funcionais ? aqueles que assinam o nome, mas são incapazes de ler e interpretar um texto, ultrapassa 50% da população alagoana. ///

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