Cidades
Vigilantes loteiam Macei�
Carla Serqueira Repórter O Caldinho do Buda, no Feitosa, foi o cenário do encontro. A reportagem precisou ?negociar? para conhecê-los. O medo de se expor fez alguns desistirem. O primeiro a chegar foi Valdir Souza Pereira, 24 anos, pai há menos de um mês. Depois chegaram os outros três: José Paulo Silva Neto, 20, solteiro; Antônio Silva Neto, 25, irmão de Paulo, casado e pai de um menino de ?dois aninhos?; e, mais calado e sem muito sorriso, Sandro Rodrigues Lins, 21, solteiro também. Vieram com um homem de meia idade, bigode e cavanhaque. Falaram ser um amigo que, de vez em quando, trabalha com eles ?para tirar folga?. ### Militar comanda equipe Na região da Via Expressa, o policial militar Pimentel toma conta do Bosque da Serraria. Coordena uma equipe de 15 vigilantes. Ele afirma que outros colegas de farda estão enveredando pelo mesmo negócio. Pimentel conversou com a Gazeta sem problemas, pediu só para não ser fotografado. Das 106 famílias que moram no condomínio, ele consegue garantir para os ?funcionários? ? pessoas de bem, chefes de família, segundo o policial ? bons salários, depois de dividir com eles os R$ 4 mil que arrecada por mês. Em janeiro, quer abrir uma empresa. ### Segurança chega a ser de 24h por dia Adauto Rodrigues é outro coordenador de vigilantes. Tem 31 anos e trabalha com segurança informal há mais de sete. A equipe dele atua na Avenida Rotary e no bairro da Gruta. Nos dois locais, ele tem cerca de 100 clientes. A taxa que cobra por imóvel varia de R$ 10, pagos por moradores de apartamentos, até R$ 50, pagos por moradores de residências. Ele afirma que não é policial e nem trabalha com armas. ?Tenho me reunido com um delegado da Polícia Federal que, inclusive, é meu cliente, para saber das limitações?. ### PM põe vigilância em xeque O comandante de Policiamento da Capital, coronel Adilson Bispo, sabe que muitos policiais militares fazem ?bico? como segurança particular. ?A gente vê nos postos de combustíveis, na porta de lojas, de mercadinhos?. Ele disse desconhecer que existam PMs dedicados à segurança informal nos bairros. ?Creio que não exista?, afirmou, lembrando de assaltos que tiraram a vida de PMs, quando trabalhavam nas horas vagas. ?Morreram pelo menos dois este ano?. O coronel também não sabia que jovens inexperientes estão sendo recrutados em Inhapi para trabalhar nas ruas da capital. ### MP teme formação de milícias em Maceió A promotora de Justiça Karla Padilha é do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público Estadual e membro do Conselho Estadual de Segurança. Ela fala com preocupação sobre o crescente mercado da segurança privada que se multiplica em Maceió na informalidade. ?É preciso saber quem está por trás destes grupos e se há conivência de policiais, que se aproveitam da estrutura do Estado para lucrar com a insegurança?. ### Famílias buscam segurança Basta um olhar mais atento. Os lares maceioenses estão demarcados. Seja na periferia ou nas áreas mais nobres. E não é de hoje. As famílias se dividem em quem pode e em quem não pode pagar por segurança há mais de quatro anos. São identificadas por um adesivo colado na porta e também nos carros. Como um imposto extra-oficial, muita gente desembolsa até R$ 50 por mês para ter a tranqüilidade de chegar em casa e não ser mais uma vítima da violência. As associações de bairro têm procurado a prefeitura interessadas em fechar ruas. ### Para moradores, saída é fechar ruas Edilberto Aragão Alves tem 73 anos. É síndico do Bosque da Serraria, onde mora há 13 anos. Durante mais de um ano, as 106 famílias do condomínio contrataram uma equipe de vigilantes, com carteira assinada. ?Eles não eram preparados?, conta ?seu? Aragão. ?Muitos eram pegos dormindo no serviço?. Ele afirma que uma só noite, seis carros foram roubados, dois deles da garagem de um morador. ///