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Vida vale menos que celular em Macei�

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Fátima Almeida Repórter Quanto vale uma vida? Durante décadas em que os crimes de pistolagem, motivados por rixas de famílias ou pelo domínio político, eram a única face da violência em Alagoas, a vida era negociada nas organizações criminosas, por tabelas de preços que variavam entre R$ 200 até R$ 50 mil, dependendo do grau de visibilidade social da vítima. Com o avanço acelerado da violência urbana, a motivação e o foco dos crimes mudaram em Maceió. Hoje, mata-se para roubar, em qualquer esquina, de qualquer ponto da cidade. E isso está criando uma sensação de medo que os alagoanos não estavam acostumados: o medo de ficar na calçada; na porta da escola; no ponto de ônibus; de sair para se divertir, ou de portar pequenos objetos, como um celular. ### Pai diz que é preciso ir às ruas cobrar O sentimento de perda de uma vida querida para a criminalidade acompanha a família do professor universitário Otávio Cabral há dois anos, e se torna mais angustiante quando a impunidade prevalece. Dos cinco acusados pelo crime, apenas dois estão presos. Um, fugiu da cadeia, praticamente pela porta da frente. ?É mais difícil entrar na cadeia, do que sair?, lamenta. Foi na própria dor, quando encontrou o corpo do filho, nove dias após seu desaparecimento, que Otávio entendeu a mais completa tradução da expressão ?Ai de mim!?, que tantas vezes estudou nas tragédias gregas. ?É a dor maior, quando se tem piedade de si próprio?, diz ele. ### Violência se ramifica em toda cidade O coronel PM Adilson Bispo, responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), confirma: a criminalidade não tem mais endereço fixo em Maceió. Está na Ponta Verde, no Farol, no Dique Estrada, no Mercado ou no Trapiche, onde Igor de Albuquerque morreu por causa de um celular. ?A população vive a sensação de que os marginais estão em toda esquina?, diz ele. Mas não é apenas uma sensação: os próprios números do CPC confirmam que a situação é real. Há um crescimento nos registros de roubo, do ano passado para cá. O roubo de veículos, por exemplo, dobrou, de 59 casos registrados em agosto deste ano, para 101 em setembro; 112 em outubro; e quase 100 em novembro ? até a última sexta-feira os números não estavam fechados. ### Vítima deve evitar reagir durante assalto O comandante do Policiamento da Capital, coronel Adilson Bispo ensina: ?O criminoso planeja sua abordagem levando em consideração uma avaliação de risco. Primeiro ele observa, estuda a vítima; avalia o lucro que pode ter com a ação criminosa; e espera a oportunidade que a vítima propicia?. Em várias situações, a rotina da vítima é estudada. Esta semana, numa ação ousada, em plena luz do dia, uma quadrilha atacou um veículo que levava dinheiro de uma empresa de transporte, e roubou R$ 42 mil. ?Certamente eles já vinham acompanhando a rotina da pessoa que transportava o dinheiro?, disse o policial. ///

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