Cidades
Alagoas se destaca em pesquisa de energia solar
Felipe Farias Repórter Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) conseguiram desenvolver uma célula fotovoltaica, que tem propriedade de gerar energia a partir da luz do Sol. São elas que compõem a parte escura daqueles painéis quadrados que aos poucos vão tomando a paisagem: do teto de edifícios para o aquecedor de água, ao alto de postes nas comunidades em que a rede elétrica nem chegou (e onde garantem não só conforto, mas a sobrevivência), a pontos ainda mais remotos, na extremidade dos extensos braços articulados de satélites e sondas que vagam bem longe da atmosfera. ### Descoberta coloca Ufal em grupo seleto A descoberta dos pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), viabilizada por projeto de pesquisa financiado pelo BNB, põe a Ufal no seleto grupo de instituições que desenvolvem projetos com potencial de aplicação universal (como aconteceu com a televisão, a pilha, a refrigeração, o celular, o cristal líquido, o raio-X), fazem pesquisa de ponta e atuam em ramos como a nanotecnologia, parte da Física que trabalha no infinitamente pequeno. ### Células de laboratório se transformam em energia Para explicar como funcionam as células solares fotovoltaicas, os cientistas fazem uma analogia com o ?funcionamento? das folhas nos vegetais. A diferença é que, enquanto nelas a luz é convertida em açúcares, nas células de laboratório, vira energia elétrica, que vai acender lâmpadas e fazer funcionar eletrodomésticos. ?Nos vegetais, essa conversão é desempenhada pela clorofila, a substância que dá o verde das folhas. Na célula fotovoltaica é o dióxido de titânio ou, como acontece com a maioria delas, o silício?, explica o professor Francisco Fidélis, doutorado em Física pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Física da Ufal. ### Tecnologia usada vem se desenvolvendo desde 2002 Até o ano de 2002, a tecnologia de desenvolvimento de células solares fotovoltaicas de dióxido de titânio era praticamente desconhecida. Mas, as pesquisas ganharam força pela vantagem que apresentam para que se obtenha o cristal com a simetria necessária ao propósito da pesquisa. Ou seja: em linhas gerais, com formas e proporções para o que querem os cientistas; o que levaria a menos dor de cabeça se isso não fosse feito no mais reduzido nível que se conhece da matéria ? o nível atômico. ### Ufal vai reforçar procura por projetos de ponta Além da nova conquista, um dos motivos de orgulho para os pesquisadores do Laboratório de Energia Solar do Instituto de Física é a qualificação de seus quadros, como acontece com várias outras unidades da Ufal, com pesquisadores igualmente qualificados. ?Um deles tem artigos publicados na mesma revista que publica artigos ganhadores do Prêmio Nobel?, proclama José Carlos Cressoni, coordenador do Núcleo de Inovações Tecnológicas da Ufal, referindo-se, respectivamente, a Madras Viswanatha Gandhi Mohan e à britânica Nature, que publicou três artigos dele. ?Não há nenhum outro pesquisador da universidade com artigo na Nature?, provoca. ### Estudos são mantidos a sete chaves por cientistas Além do Instituto de Física e do Programa de Melhoramento Genético da Cana (PMGA), onde o pesquisador Geraldo Veríssimo desenvolve variedades mais produtivas e resistentes, há projetos visados também no Instituto de Química da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Um deles, desenvolvido pelo pesquisador Euzébio Goulart, usa os feromônios para combater pragas. ///