Cidades
Badala��o em praias vira dor de cabe�a no ver�o
| Fátima Almeida Repórter Praia do Francês, Paripueira, Barra de São Miguel... De Norte a Sul do litoral alagoano a movimentação de turistas faz a festa da alta temporada. Praias lotadas de gente de todos os lugares, numa mistura de sotaques traduzidos na linguagem universal do lazer de férias, com cheiro de sol e mar. A temporada de verão tem impulsionado, ano após ano, a geração de emprego e renda em Alagoas. Muitos, conseguem multiplicar os ganhos nesta época do ano, por três, cinco, dez vezes, e fazer reservas para o ano inteiro. Outros, conseguem o emprego que estava faltando: garçon, camareira, vendedor, corretor... Uma infinidade de oportunidades entra pela mesma porta do fluxo turístico e se instala por alguns meses nos balneários alagoanos. ### Alagoas deve receber 150 mil turistas Quem vai ao Francês num dia útil de trabalho, acha quer está vivendo um feriado ou fim de semana. A praia está lotada de domingo a domingo. Os ônibus de turistas formam fileiras e atrapalham o trânsito, tumultuado, também, pelo excesso de carros pequenos que chegam de várias cidades e de vários Estados. Na areia, banhistas se misturam com mesas, cadeiras, sombreiros, ambulantes, bóias e embarcações que ocupam perigosamente a área de banho. Um barco aéreo (estilo asa delta) tira o sossego do mergulho cada vez que pousa no meio dos banhistas. ### Temporada de bons negócios e trabalho Segundo a secretária de Turismo de Marechal Deodoro, Betânia Barros, o Francês vive sua melhor temporada, com incremento de 60% na geração de emprego, beneficiando artesãos, pescadores, vendedores, comerciantes e produtores locais. O garçom Manoel Messias dos Santos trabalha há mais de 20 anos no local. Como funcionário de uma barraca, ganha em média um salário mínimo por mês, durante o ano inteiro. Na alta temporada, a renda aumenta consideravelmente. ?Em dezembro, janeiro e fevereiro, chego a ganhar até três salários mínimos?, diz ele. ### Barra, superlotada e sem estrutura De todos os balneários alagoanos, o que mais enfrenta problemas de superlotação é a Barra de São Miguel. De acordo com a Secretaria de Turismo do Município, a população multiplica por quatro na alta temporada, e chega a ser dez vezes maior do que a população residente, durante o carnaval. Para receber tanta gente, a estrutura hoteleira, que responde por apenas 34% das hospedagens, tem o reforço dos prédios residenciais que são alugados para temporada. Das cerca de três mil casas da Barra, calcula-se que 20% são alugadas nessa época do ano, segundo dados da Secretaria de Turismo do município. ### Lixo e falta de segurança no Francês Em alguns lugares, como no Francês, os problemas ainda são de quem está se estruturando para ser pólo turístico. Até dois anos atrás, o balneário, situado no município de Marechal Deodoro, era apenas um roteiro turístico [local de passagem]. Hoje é destino: ou seja, o turista se hospeda no local. Mas na avaliação da diretora da Associação de Empreendedores de Turismo do Litoral Sul (Assert Sul), Adriana Franco, a Praia do Francês ainda não é tratada como balneário. ?Precisa de melhor controle dos serviços e maior atenção das autoridades?, diz ela. ### Correria agora é para evitar problemas À medida em que o carnaval se aproxima, o fluxo aumenta, e a probabilidade de problemas também. Nesse caso, o melhor é prevenir. Na Barra de São Miguel, a Casal vem fazendo investimentos que reduziram a falta de abastecimento registrada em carnavais passados e está reforçando o sistema para este verão. Segundo o assessor da presidência, engenheiro Antônio Fernando, no ano passado a vazão do abastecimento foi reforçada em 20%, e este ano estão sendo implantados equipamentos, incluindo uma rede de mil metros, para aumentar a vazão em pontos que ainda registravam problemas, como a Barra antiga e parte do Barramar. ///