Cidades
Motos se transformam em transporte de criminosos
Lelo Macena Repórter Nos crimes encomendados covardemente por poderosos e executados por pistoleiros assalariados, nos assaltos a bancos e casas lotéricas e até mesmo nos mais simples delitos, ela está lá para garantir a fuga dos criminosos, que se escondem por baixo de capacetes. Velozes, imunes aos engarrafamentos e fáceis de serem adquiridas, as motocicletas se transformaram no veículo preferido de criminosos. Em Alagoas, basta um breve levantamento dos homicídios de maior repercussão em 2007 para se constatar que lá estavam as motos, habilmente manuseadas a serviço dos bandidos. ### Polícia promete apertar cerco contra motoqueiros Titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, o delegado Valdir de Carvalho alerta para a grande quantidade de motos irregulares em Alagoas. A facilidade para se adquirir o veículo, através de financiamentos concedidos pelas revendedoras, faz com que cresça a cada dia o número das chamadas, segundo a gíria policial, ?motos de estouro?. ?O cara tira a moto no financiamento através de um laranja e depois deixa de pagar?, explica, ao afirmar que a maior parte dessas motos são usadas para o crime. ?Fica muito difícil fiscalizar esses veículos?, diz. Na semana passada, ele recebeu na delegacia as duas motos usadas no assalto aos clientes do Bradesco. ### Violência faz juiz vetar uso do capacete Na cidade de São Sebastião, no Agreste alagoano, os constantes crimes envolvendo motociclistas encobertos por capacetes e a inoperância da polícia local fizeram o juiz Jairo Xavier tomar uma medida que até hoje gera polêmica. Depois de uma audiência pública que teve a participação de vários setores da sociedade, em março do ano passado, o magistrado resolveu proibir o uso do capacete dentro do município. No mesmo dia em que baixou a portaria, ele também decretou a lei seca na cidade. Nenhum bar ou restaurante de São Sebastião, desde então, pode estender o horário de funcionamento além das 22h. ### Vereador de Arapiraca quer copiar juiz de São Sebastião Na segunda maior cidade alagoana, onde circulam mais de 20 mil motociclistas, o vereador Tarcizo Freire (PV) vem há quase dez anos tentando emplacar o projeto que também proíbe o uso do capacete no perímetro urbano de Arapiraca. ?O uso do capacete em Arapiraca só serve para o crime de mando, para os assaltos e todo tipo de roubalheira. Vários empresários e moradores da cidade já foram assaltados em semáforos por motoqueiros. Eles se escondem atrás de capacetes, vestem blusões, usam luvas e saem praticando assaltos e mortes?, diz ele. ### Falsos mototaxistas atacam no Agreste Quase um terço das mais de 75 mil motocicletas de Alagoas rodam em Arapiraca. A cidade, distante 126 km de Maceió, na qual vivem 200 mil habitantes, é considerada, proporcionalmente, a capital nacional da moto. São mais de 20 mil veículos motorizados de duas rodas trafegando diariamente pelo trânsito caótico da cidade pólo do Agreste alagoano. A movimentação é intensificada pelos mais de 2 mil mototaxistas que disputam os passageiros da cidade desde 1994, quando a atividade foi regulamentada no município. ### BPTran só fiscaliza uso do capacete após o carnaval Enquanto o vereador de Arapiraca quer proibir o uso do capacete, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aposta na resolução 203/2006, que estabelece novas normas para o uso do capacete, com o objetivo de diminuir os custos do governo brasileiro com o tratamento de vítimas de acidentes de moto e, claro, de prevenir acidentes. Desde o dia 1º de janeiro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) vem cumprindo a resolução 203, que em seu texto diz que só começa a valer depois de 180 dias de sua publicação. Nas rodovias federais, o motoqueiro que é flagrado com o capacete fora das novas normas está sendo penalizado. ///