Cidades
Reservas viram patrim�nio
Carla Serqueira Repórter Alagoas começa 2008 com 17 Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as chamadas RPPNs ? dez federais e sete estaduais. São propriedades privadas, ou parte delas, com relevante importância ecológica, reconhecida por lei. Com o título, elas têm prioridade na liberação de verbas públicas do Ministério do Meio Ambiente e ficam isentas da cobrança do Imposto Territorial Rural, o ITR. Uma RPPN começa a ser criada quando o proprietário solicita o título ao governo estadual ou federal. O potencial da área é avaliado em vistorias. Reconhecida a necessidade de estabelecer a reserva, o dono não perde o direito de vender o imóvel, mas o imóvel nunca deixará de ser uma RPPN, tendo seus responsáveis que arcar com o compromisso de sempre proteger o ecossistema. ### Cantinho do interior no meio da cidade Eduardo Purcell, pernambucano, 63 anos, três filhos, cinco netos, veterinário e corretor de imóveis com experiências em São Paulo e Nova York, pode até não parecer, mas é igualzinho a Osvaldo Timóteo da Silva, alagoano, 77 anos, dez filhos, 18 netos, cinco bisnetos, comerciante e agricultor com pouca formação escolar. Eles são declarados amantes da natureza e, quando jovens, trabalharam com o mesmo objetivo: adquirir um pedacinho de chão cercado por animais livres, árvores, frutas, ar puro; e viver sossegado, beneficiando e sendo beneficiado pelo meio ambiente. ### Área atrai grupos de visitantes Experiente empresário do setor imobiliário, Eduardo Purcell critica o Código de Edificações de Maceió. ?O maior erro foi transformar Fernão Velho numa Zona Rural Agrícola?, diz, explicando que a classificação limita o tamanho de lotes que podem ser comercializados na região e restringe o volume de construções. ?Com as especificações para o local, fica inviável investir?, informa, dizendo que boa parte da mata atlântica desapareceu para dar lugar à criação de porcos, cavalos e vacas. Fernão Velho, além de abrigar a reserva Tobogã, é também parte da Área de Preservação Ambiental (APA) do Catolé e, por ser região de encosta, é ainda uma Área de Proteção Permanente (APP). Agora, com possibilidade de receber incentivos financeiros do governo, Eduardo pretende realizar o replantio de espécies nativas e explorar o ecoturismo, instalando um restaurante na reserva para os admiradores da natureza como ele. ### No lugar de canavial, árvores Debaixo de um frondoso pau-brasil de 23 anos, Osvaldo Timóteo recebeu a reportagem. Contou que enveredou pelo ramo da cana por causa dos incentivos do Pró-álcool, programa do governo federal que visava popularizar o combustível na década de 1980. Desistiu quando viu a natureza pedir socorro. Continuou se mantendo com o mercadinho que até hoje funciona na cidade, sob a administração de Irene Alves, 74 anos, sua esposa há mais de 50. Já plantou mais de 20 mil árvores. ///