Cidades
C�meras v�o vigiar passos da popula��o
Carla Serqueira Repórter Para combater o alto índice de criminalidade, a informática vira arma nas ruas da cidade. Apontadas para os espaços públicos, câmeras de segurança flagram e armazenam em computadores os passos de quem se posta na sua frente. Com objetivo de suprir a falta de policiais e produzir provas contra suspeitos de crimes, elas começam a ser espalhadas por Maceió. O projeto está incluído no pacote de medidas anunciado recentemente pela Secretaria de Defesa Social, mas parte dele depende de parcerias com a prefeitura. Oito câmeras já foram instaladas na rodovia AL-101. Quatro estão no posto policial de Guaxuma, na direção Norte, funcionando desde o carnaval. ### Instalação depende de parcerias Logo que assumiu interinamente a Secretaria de Defesa Social, o coronel Ronaldo dos Santos ? que deve ser substituído nos próximos dias ? reuniu a imprensa e divulgou medidas de segurança que seriam adotadas em caráter de urgência na capital, na tentativa de diminuir o índice de violência que já deixou mais de 200 mortos na grande Maceió, em menos de dois meses, só este ano. As câmeras foram anunciadas na ocasião. Na orla marítima, ele afirma que o projeto depende de uma parceria com a prefeitura. ?Nós anunciamos a instalação de câmeras nas entradas da cidade. Nas orla, estamos estudando a possibilidade. ### Eficácia de lentes divide opiniões Quem passeia vez ou outra na orla de Maceió, não percebe mais que suas belezas. Exuberante e de cores mutantes, o mar rouba a cena, não deixa ver os perigos. A Gazeta conversou com comerciantes, turistas, vigilantes e maceioenses que não abrem mão da saudável e diária caminhada no fim da tarde para descobrir se as câmeras que o governo pretende instalar no calçadão interessam ou incomodam, levando em conta a exposição permanente dos transeuntes aos olhos desconhecidos, por trás das lentes. Alguns duvidam da eficiência do projeto. ?Acho uma boa idéia, mas é preciso saber se vai mesmo ter alguém acompanhando as imagens?, disse a pedagoga Lucilene Torres, cobrando ainda atenção do poder público com a manutenção. ### Máquinas viraram moda e se tornaram campeãs de venda Quem lucra com a criminalidade são os empresários do setor de segurança eletrônica. As câmeras viraram moda, se tornaram campeãs de venda. A procura quadruplicou nos últimos meses, segundo Rosivaldo Izidório, proprietário da empresa Líder Segurança, há oito anos em Maceió e há dois em Arapiraca. ?Antes eu vendia 50 câmeras por mês, hoje vendo mais de 200?. Ele revela que quando são divulgadas reportagens com flagrantes de criminosos diante das câmeras, como ocorreu no último dia 14 de fevereiro, quando seguranças que abasteciam os caixas eletrônicos do Hiper Bompreço, no Farol foi assaltado e acabou baleado, ?chovem? telefonemas na loja. ?A procura no dia seguinte é absurda!?. ### Pindoba: câmeras em cada poste Pindoba ? Longe da criminalidade na capital, os municípios de Pindoba e Maribondo já aderiram ao sistema de câmeras direcionadas para a via pública. O primeiro município, que ao longo de décadas ganhou fama no Estado pelas acirradas disputas políticas, investiu no serviço há cerca de um ano e meio; o segundo, em novembro do ano passado, depois da única agência bancária da cidade ? a Caixa Econômica ? ter sido assaltada seis vezes. A maioria dos moradores aprovava a iniciativa; os mais jovens, reclamam da vigilância exacerbada, que, em Pindoba, é acompanhada até pelo padre local. ### Maribondo adere ao sistema O presidente da Câmara de Vereadores de Pindoba, Paulo Cordeiro, não economiza elogios à iniciativa do prefeito. ?Pindoba foi a pioneira!?, gosta de repetir. Ele disse que o órgão que preside nunca recebeu reclamações do povo. ?O que se comenta por aqui é só a parte boa. Os namorados devem procurar um lugarzinho longe das câmeras?. Paulo reside em Maribondo e fala orgulhoso que a prefeitura de lá copiou a idéia de Pindoba. Secretário-geral da prefeitura de Maribondo, Helijan Dionísio da Silva conta que a idéia de instalar câmeras no município não veio de Pindoba, mas da necessidade. ?Geograficamente, a cidade favorece à ação dos bandidos?. Ele lembrou as seis vezes que a única agência bancária da cidade foi assaltada. ///