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A rota da droga nos pres�dios alagoanos

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| Bleine Oliveira Repórter Como um detento consegue lucrar R$ 4 mil com a venda de maconha e crack dentro da cela onde cumpre pena de prisão por homicídio, assalto a banco, seqüestro? Mais ainda, como um presidiário pode esconder três quilos de maconha sem que essa droga seja localizada pelos agentes penitenciários? São perguntas para as quais o Estado de Alagoas não tem resposta. Mas há uma indagação ainda mais grave. Como a droga entra no sistema prisional, e como os presidiários conseguem comercializá-la? Obter essas respostas é difícil não apenas pelas regras de silêncio exigidas no submundo das prisões. A resposta não vem porque, se buscada com seriedade e rigor, vai mostrar que há uma estreita ligação entre agentes públicos e o crime de tráfico dentro dos presídios. ### ?Chefões? lucram R$ 4 mil por semana Em todas as unidades prisionais existem os chamados ?cabeças?, ou seja, o traficante, o dono da ?coisa?, que é a droga. Esse é ?respeitado? não apenas por ser o fornecedor, mas pelo medo que impõe aos demais presos a quem submete com juras de morte. Quem não se submete é de tal forma excluído que, em muitos casos, não tem sequer direito a um espaço pra dormir. Um detento, que por razões óbvias não pode ser identificado ? vamos chamá-lo apenas B., revela que os ?cabeças? podem obter lucro médio de R$ 4 mil por semana com a venda de drogas. Ele próprio um usuário, ?B.? retira um pouco da fumaça que esconde o tráfico dentro dos presídios, e revela alguns detalhes desse subterrâneo criminoso. ### Visitas e agentes agem como ?aviões? As visitas aos presos são um dos caminhos para que a maconha e o crack cheguem às penitenciárias. O visitante, seja familiar, especialmente a esposa, ou amigo, quase sempre é convencido a fazer o transporte, mesmo diante do risco de ser pego nas revistas rotineiras. ?Quando é pouca, a droga entra com a visita? ? revela B., que de novo responde com um sorriso a indagação sobre o que significa ?pouca?. Ele diz que ?é cinco ou dez pedras de crack, 200g a 300g de maconha?. ### Traficantes forçam presos a usar crack No entendimento do presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas, Jarbas de Souza, o que os dirigentes do sistema prisional devem fazer é criar mecanismos de controle mais eficientes, valendo-se principalmente da tecnologia disponível. O envolvimento de agentes penitenciários com tráfico de drogas dentro do sistema é uma questão séria e de conhecimento das autoridades do setor. O próprio diretor de Inteligência da Intendência Penitenciária, coronel da Polícia Militar de Alagoas, Paulo Sérgio de França Lopes, admite esse envolvimento. ### Droga é distribuída durante o ?corre? Até recentemente a distribuição da droga se dava numa espécie de comércio que os presos chamam ?corre?. Assemelhando-se a uma feira, onde são trocados ou vendidos objetos diversos, de uma bermuda a um pacote de pipoca, o ?corre? foi proibido em alguns presídios depois que diretores de unidades perceberam que o objetivo principal era a venda de droga. ?Entre as medidas disciplinares que adotamos está a proibição do corre?, confirma o diretor da Penitenciária Cyridião Durval, capitão PM André Dias. Mas ele próprio admite que a medida não vai impedir o tráfico na unidade que gerencia, como não acabaria em nenhuma outra. ### ?Falta política para recuperar os presos? São inúmeros os casos de reeducandos que conheceram e começaram a usar droga dentro dos presídios. Essa realidade é confirmada pelo juiz da Execução Penal, Marcelo Tadeu, uma das vozes que tem denunciado vigorosamente a cruel realidade do sistema prisional de Alagoas. ?O crack avança nos presídios de modo avassalador, deixando os presos loucos?, afirma o magistrado. Desde que assumiu a Vara de Execuções, Marcelo Tadeu vem revelando as mazelas do sistema, e reclamando da falta de assistência do Estado para a efetiva ressocialização daquele que cometeu um ilícito e foi condenado a uma pena de prisão em regime fechado. ///

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