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Quando a noite chega... Centro ganha nova vida

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Desenhado por mãos francesas, no longínquo ano de 1820, o Centro de Maceió só silencia depois da meia-noite. Seus cerca de 100 mil transeuntes diários minguam aos poucos e se retiram por completo nas últimas viagens dos ônibus, que desfilam repetidas vezes na Rua do Comércio, Rua das Árvores e Pedro Monteiro. Baixadas as portas, trancadas as grades e acionados os alarmes, as mais de 1.300 lojas perdem o foco dos consumidores e tornam-se fundo para uma outra rotina. Sai de cena a média de 6.500 funcionários, se despedem de suas bancas ?nuas? de quinquilharias os mais de 1.500 ambulantes e ganham espaço os catadores de papelão, os vigias noturnos, os famintos à espera da sopa caridosa, os garis, os vendedores de sanduíche e churrasquinhos, os carregadores de mercadorias, os estudantes em passos largos, com medo da violência, entre outros que têm o Comércio no meio do caminho. ### Território dos catadores de lixo é dividido por setores A noite no Centro também é dos catadores de lixo. No mesmo chão que deu passagem à correria do dia, Josafá Rodrigues Ferreira se espalha, fica à vontade. Há pelo menos oito anos, monta seu ?escritório? na calçada de uma agência dos Correios, na Rua Boa Vista. É freguês certo das lojas Guido, Insinuante e Maia. As caixas de papelão descartadas por elas são garantidas. Pacientemente, ele separa, empilha, organiza. Começa às 15 horas e só termina de madrugada. ?A melhor hora de trabalhar é essa?, diz, interrompendo o rasga-rasga de papel para uma olhada ao redor do Centro vazio. ### Passos apressados para evitar violência Enquanto tem ônibus circulando no Centro, tem gente na rua. São estudantes do campus da Universidade Federal de Alagoas, na Praça Sinimbu; alunos de cursinhos, de escolas de idioma e de cursos profissionalizantes como a Escola Técnica de Comércio de Alagoas, na Rua João Pessoa. Com os passos apressados, Cristiane Silva, aluna de Teatro da Ufal, segue na companhia do amigo, o ator Valmir Nogueira. ?Ele me leva até a Rua das Árvores. Ir sozinha é perigoso?. Eles passam diariamente no Centro sempre perto das 22 horas. ### Nas noitadas, o churrasquinho é indispensável Rua Joaquim Távora. São quase seis horas da noite. A brasa já está pronta e Ivanildo Bigode se ocupa em virar na grelha os primeiros dos 250 churrasquinhos que vende, em média, toda noite no Centro de Maceió. O cheiro parece atrair os lojistas. ?Tem muito gerente que vem aqui?, diz ele, que já ganhou crédito nas lojas por conta das amizades construídas ao longo dos 22 anos servindo petiscos e cerveja nas calçadas do Comércio. Sem deixar de rolar os palitinhos com pedaços de frango e boi na churrasqueira, Ivanildo, dono da fama de ser o fundador do ramo no Centro, conta que a clientela é fiel. ### Sanduíches até de madrugada O lugar de Celso Pessoa é na Praça Deodoro. Ele é dono de um dos carrinhos que funcionam até amanhecer o dia. Chamado ?Big Lanches?, seu negócio produz cerca de 100 sanduíches todas as noites, se for começo de mês. ?No começo do mês, a média é 100, no meio, é 80 e no final, 60?, detalha, mostrando que acompanha na ponta do lápis a produção que mata a fome de muita gente que transita de madrugada. Namorados, o bombeiro André Gustavo e a estudante Sheila Marques esperam de dentro do carro mesmo seus hambúrgueres ficarem prontos na chapa. ///

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