Cidades
Feira do Rato poder� ser reestruturada
Uma feira com dois lados distintos, que não se misturam: o bem e mal. É dessa forma simplista que alguns comerciantes definem a existência da Feira do Rato, um aglomerado urbano localizado no Centro de Maceió. Ali é possível comprar ou vender qualquer objeto, inclusive roubado. Diante da possibilidade de uma reforma arquitetônica no local, as pessoas que ali comercializam tratam logo de estabelecer a diferença entre ?trabalhadores?, que representam o bem, e os ?vagabundos?, a horda do mal. Os que se colocam como ?pais de família? acreditam que qualquer ação do município implica no risco de serem obrigados a deixar o local onde estão, em alguns casos, há mais de 30 anos. Por isso são reticentes e evitam opinar sobre a necessidade de uma ampla reforma urbana na área. ### Jovens compram armas com facilidade Seus dias não estão contados, mas um fato é certo. A Feira do Rato vai desaparecer do cenário urbano do Centro de Maceió. Pelo menos da forma caótica como se apresenta hoje. Há segmentos da sociedade alagoana que há muito tempo cobram do Estado e do município uma intervenção capaz de reordenar aquele logradouro, caracterizado pela delinqüência. É de conhecimento público que ali existe um comércio ilegal de armas, além de tráfico de drogas e prostituição. ?Entre 70% e 80% dos menores infratores dizem ter adquirido arma ali?, revela o juiz da Infância e da Juventude, Fernando Tourinho Filho, uma das vozes que pede a ação do gestor público no local. ### Área é demarcada pela marginalidade A Feira do Rato está localizada no final da Avenida Moreira Lima, proximidades do Palácio do Trabalhador e dos Mercados do Artesanato e da Produção. O logradouro é conhecido por manter, há décadas, o comércio irregular de produtos diversos. Seus comerciantes, aqueles que se posicionam no lado que chamam de bom, garantem que o local é freqüentado por consumidores vindos, principalmente, do interior do Estado. Dizendo que está na feira há mais de 20 anos, Argelino Cordeiro da Silva, 63, comercializa bijuterias. Inicialmente ele evita conversar com a reportagem sobre a feira e seus problemas. Mas depois de entender que a questão não é de natureza policial, mas urbanística, Argelino concorda em opinar. ///