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Golpe acaba com sonho de pescadores

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A dor é a de um baque. Eles sentem vergonha também. Levaram uma rasteira dentro da própria comunidade, dada por um estranho, boa pinta, que chegou prometendo demais, e eles caíram. Pescadores e marisqueiras de pelo menos dez municípios do litoral alagoano hoje sofrem por ter acreditado no desenvolvimento sustentável, por ter trabalhado, mesmo de graça, na tentativa de alcançar o sonho de uma renda mensal, de uma vida melhor. Ao contrário do cultivo de ostras, o estabelecimento, chamado ?Maria Vai com as Ostras?, na Jatiúca, perto do Hotel Meliá, vai de vento em popa, funciona até hoje, graças ao dinheiro da União. Agora é do filho de Daniel. Virou microempresa, propriedade privada. Um Fiat Doblô, comprado por R$ 51 mil no lugar de uma caçamba, como previa o projeto, também deixou de servir aos pescadores. Foi vendido. ### Empresas ajudaram a ?engordar? lucros As frustrações estão todas registradas na ação de improbidade administrativa, um relatório de 66 páginas, que a Gazeta teve acesso. Montada pelo procurador da República Paulo Olegário, a peça, já enviada para a CPI das ONGs, em Brasília, causa revolta durante a leitura. Mostra que o Instituto Oceanus foi composto pela mãe, pai, cunhado e irmã de Daniel Lima; por sobrinhos de Andréa Künzler e por amigos íntimos dos dois, a mesma turma que criou os institutos Ibradim, Exato e ADS Corais, beneficiados com verba do projeto. ### Pescadores foram abandonados Barra de São Miguel ? Todas as famílias que vivem em Palatéia, uma comunidade com cerca de 500 habitantes, zona rural ainda nos limites da Barra de São Miguel, às margens da Lagoa do Roteiro, são sustentadas pela pesca. Bem antes do Instituto Oceanus chegar por lá, em meados de 2005, os pescadores já vendiam ostras. Tiravam do mangue, de qualquer jeito. O Sebrae resolveu investir em cursos de capacitação. Passou conhecimentos sobre associativismo, ensinou a construir as mesas, tipo de grade feita de madeira e tela, onde crescem os moluscos em oito meses. Depois surgiu o Instituto Oceanus. Levou para a comunidade pacata dor de cabeça e indignação. ### Trabalhadores contraíram dívidas e amargam prejuízos Paripueira ? Quando se fala no Instituto Oceanus, a face de Audálio Alexandre da Silva, 45 anos, o Dal, esboça um riso sem graça, meio envergonhado. Ele, presidente da Colônia de Pescadores de Paripueira, e Paulo Amaro da Silva, 55, foram os últimos a desistir do projeto. Insistiram até onde puderam. ?Era uma boa idéia, tinha tudo para dar certo?. Os dois são insistentes, ainda pensam em reativar o projeto. Já buscaram o apoio da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República, a mesma que liberou R$ 1,3 milhão para o Instituto Oceanus. ### Em Ipioca, criadores ainda têm esperança Em Ipioca, o cultivo de ostras continua como antes, a cargo da própria comunidade. Não dá lucro, é mais para o consumo dos próprios criadores, que mesmo enganados ainda sonham com o Plano Local de Desenvolvimento da Maricultura, prometido pelo Instituto Oceanus. Nos quase 18 meses de vigência do projeto, depois de reuniões e muita propaganda, apenas 18 mesas e uma bomba de dispersão, para limpar os moluscos, foram colocadas lá. As mesas já se desgastaram e a bomba está parada, não serviu. Cidália Silva Santos, 59, é uma liderança na comunidade. Acompanhou a sensibilização feita pela ONG para atrair pescadores e marisqueiras. Uma turma de 24 pessoas assistiu aulas de associativismo, realizadas pelo Sebrae. O grupo estava unido, acreditando que o cultivo de ostras iria dar certo. ### Oceanógrafo se diz enganado Contratado para coordenar o estudo previsto no Plano Local de Desenvolvimento da Maricultura, o oceanógrafo Fábio Colin afirma que as portas se fecharam para Alagoas, depois da denúncia feita pelo Ministério Público Federal. ?Por causa de um mal empreendedor, o Estado inteiro sai perdendo?. Ele diz que já foi buscar apoio do governo federal para outros projetos e não conseguiu. ?Eles disseram que só vão liberar recursos depois que a situação com o Instituto Oceanus for resolvida?. Fábio foi quem selecionou os demais pesquisadores que ficariam encarregados de realizar exames ambientais para subsidiar o plano. ///

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