Cidades
Mosquito da dengue p�e gestores em xeque
Que mosquito é esse que tem desafiado o Brasil? Que doença é essa que já matou mais de 90 brasileiros e infectou 90 mil só nos primeiros três meses do ano? A incrível capacidade de reprodução do Aedes aegypti e a semelhança dos sintomas com uma simples virose colocam em xeque gestores públicos, médicos e comunidades em todo País. Exige comprometimento. Pede pressa. Originário da África e transmissor do vírus desde o século 18, o mosquito da dengue nasce em apenas 48 horas. Basta um recipiente com água acumulada, mesmo uma tampinha de garrafa. Ele vive um mês, em média ? período em que a fêmea, responsável pela transmissão da doença, coloca até 600 ovos. Ou seja, em 30 dias somente, um único mosquito pode gerar outros seiscentos. ### Pacientes recorrem a Posto de Saúde Na tentativa de filtrar os casos encaminhados ao Hospital Hélvio Alto, referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas de média complexidade, como a dengue (entre janeiro e março, o hospital atendeu 314 pessoas com dengue, sendo oito do tipo hemorrágica), a Secretaria Municipal de Saúde resolveu, desde a última quarta-feira, estender o horário de atendimento em oito postos da capital. Das 17 às 22 horas e por tempo indeterminado, as unidades receberão, com exclusividade, pessoas que estejam apresentando os sintomas da doença. ### População deve evitar a automedicação Além do PAM Salgadinho, os horários foram estendidos aos pacientes com suspeita de dengue também no posto João Paulo II, inaugurado em dezembro do ano passado, no Jacintinho. Lá, Rogério Alcântara da Silva, 26, suspirava aliviado, depois de ser hidratado por meia hora. Primeiro sentiu febre de 39,5°C, pela manhã. À tarde, sentia frio e à noite, vieram as dores no corpo, na cabeça e nos olhos. Não pensou em dengue, pensou em virose. No dia seguinte, ficou em casa esperando a melhora. Como ela não veio, decidiu ir ao posto de saúde. ### Secretários conhecem plano de ações Com pouco mais de dez páginas, o Plano Estadual Integrado de Intensificação das Ações de Combate à Dengue, na última semana, chegou ao conhecimento de secretários municipais de Saúde e técnicos do interior. Quarta-feira passada, o documento foi apresentado, numa reunião extraordinária, ao Conselho Estadual de Saúde. O objetivo é manter contínua toda ação contra o mosquito. No Estado inteiro, cerca de 400 médicos foram capacitados. Só na capital, atuam 490 agentes, visitando domicílios e espalhando larvicida diariamente. ### MP vai cobrar assistência a doentes Pronta para cobrar a responsabilidade dos gestores públicos e punir, se for o caso, a promotora do núcleo de Saúde do Ministério Público Estadual, Micheline Tenório, avisa: ?Por enquanto estamos do mesmo lado, mas vai chegar o momento do Ministério Público se apartar e cobrar?. A preocupação dela é não faltar assistência básica para os pacientes com dengue e nem estrutura para os agentes de endemia monitorarem os bairros. Na última terça-feira, ela recebeu, na sede da Procuradoria Geral de Justiça, representantes das prefeituras alagoanas. Foi dado prazo de dez dias para que todas relatem as ações que colocaram em prática. ### Engajamento da população é essencial Os números de casos suspeitos de dengue em Maceió crescem a cada dia. Em 5 de abril eram 980. No começo da última semana, 1.061. Na sexta, 1.368, dos quais 424 confirmados. No intuito de sensibilizar e cobrar a responsabilidade dos moradores da capital, que devem permanecer vigilantes e destruir os focos do mosquito ? geralmente encontrados em vasos, pneus, caixas d?água e lixo amontoado ? até o governador Teotonio Vilela foi à caça do mosquito quarta-feira passada. Ele acompanhou uma turma de agentes no Clima Bom. Numa das casas visitadas, uma lata que continha a água que descia do ar-condicionado acomodava larvas do mosquito. Em dois dias, elas alcançariam a fase adulta e poderiam se tornar novos transmissores da dengue. ///