Cidades
Cidade de Lona est� com os dias contados
Sentada na frente de seu barraco, Maria Aparecida do Nascimento contempla o neto Henrique, que brinca distraído no chão de terra batida, aos pés da avó. ?Ele nasceu aqui na Cidade de Lona. Esse coitadinho já vai com dois anos e não sabe o que é um banho de chuveiro e nem um banheiro na vida dele?, diz ela, em tom de brincadeira, mas sem esconder uma ponta de dó da sina do menino nascido de sua filha mais nova. Aparecida vive na Cidade de Lona há oito anos. Ao lado da mãe e dos três filhos, saiu do Jacintinho, onde morava, para lutar por uma casa própria junto às famílias que permaneceram no local durante os nove anos de ocupação. ### Cadastro não contempla a todos Para que a transferência das famílias da Cidade de Lona possa acontecer de forma tranqüila, do jeito que pretende a Secretaria Municipal de Habitação, a prefeitura vai ter que resolver um impasse. Segundo a líder comunitária Ana Quitéria de Souza, que também faz parte da União de Movimentos de Moradia de Alagoas (UMM) ? movimento fundado em 1987 e que luta pelo direito à moradia em todo o País ?, a prefeitura vai ter de cadastrar e dar casas a mais 125 famílias que chegaram depois do primeiro cadastramento feito pela Secretaria de Habitação. ### Conjunto terá creche e posto de saúde O secretário municipal de Habitação, Nilton Nascimento, disse que pretende entregar as casas do Conjunto Cidade Verdejante no mês de agosto. ?No mais tardar em setembro estará pronto?, afirma. O terreno que hoje abriga a Cidade de Lona vai dar lugar a um conjunto residencial que deve ser construído pelo governo do Estado. Empolgado, o secretário afirma que jamais houve em Maceió um projeto de habitação popular como o que está sendo erguido no Benedito Bentes 2. ?Você já esteve lá? É uma coisa impressionante a quantidade de casas?, diz orgulhoso Nilton Nascimento, embora saiba que o déficit habitacional de Maceió, que ultrapassa 110 mil moradias, é problema que está longe de uma solução. Segundo ele, o conjunto Cidade Verdejante está dotado de toda infra-estrutura para receber os novos moradores. ### Sem-teto não acreditam em entrega de imóveis Para José Cláudio dos Santos, coordenador da União de Movimentos por Moradia em Alagoas (UMM), ainda tem muita coisa a ser resolvida pelos poderes municipal e estadual quando o assunto é habitação para as classes populares. Segundo ele, 70% da população de Maceió vive em áreas irregulares, abrangidas por favelas, loteamentos clandestinos e áreas de risco. ?Nós temos ainda as 180 famílias que estão há mais de um ano no prédio do antigo INSS, próximo à Praça dos Palmares. É outro problema que precisa ser resolvido?, afirma Cláudio. ///