Cidades
Alagoas em clima de arrasta-p�
No interior do Estado, homens e mulheres trabalham a todo vapor na fabricação de fogos; na capital, as barracas de vendas já registram um bom movimento. No Centro da cidade, um trio regional de sanfona, triângulo e zabumba anuncia muito além das ofertas do comércio: começou o mês mais festivo do calendário nordestino. Quem dá o tom das festas juninas é o trio de santos padroeiros: Santo Antônio, São João e São Pedro exigem festa animada, com quadrilha e forró; fogueira para aquecer as noites frias de inverno; e muita comida de milho ? tudo como manda a tradição da época. Em Maceió, a programação ainda está sendo desenhada, mas uma coisa já está certa: segundo a Fundação Municipal de Ação Cultural serão nove dias de festa, de 21 a 30 de junho, e muito forró pé-de-serra. Já tem até gente se antecipando e garantindo a fogueira na frente de casa. ### Famílias inteiras fabricam fogos A periferia de Ibateguara é cheia de pequenas fábricas, localizadas na beira do rio. É norma de segurança, fiscalizada pelo Exército, que esse tipo de atividade funcione a uma distância mínima de 500 metros do perímetro urbano. Na fábrica de Antônio Juliano, trabalham cerca de 30 pessoas. A média, o ano inteiro, é de 17 postos de trabalho informal. Em ano de Copa do Mundo a produção se multiplica e a possibilidade de trabalho também. Enquanto as usinas não voltam a moer, o cortador de cana Marcos Gomes garante a sobrevivência enchendo bombas. Faz isso há dois meses. Mais experiente, o colega Genivaldo Araújo demonstra uma performance impressionante com uma média de produção de cerca de duas mil bombas (nº 4) por dia. A produção diária da fábrica, segundo Juliano, é de 12 mil bombas e cerca de 70 mil estalos-bebé. ### Forrozeiros fazem pé-de-meia A sazonalidade não é característica apenas da produção e comercialização de fogos. Músicos de estilo regional também aguardam ansiosos o início das festas juninas para incrementar o orçamento e, se possível, fazer uma reserva para os meses de pouca festa. ?O artista não pode viver só de época, mas para nós que trabalhamos com a música regional, o período junino fecha uma boa temporada de shows?, destaca o cantor e compositor Geraldo Cardoso. Nesta época do ano, sua equipe, que geralmente tem cerca de 12 pessoas, dobra ? incluindo músicos, técnicos, iluminadores, dançarinos, motorista, montadores... ### Palhoção deve cumprir normas De acordo com a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), 39 pedidos de licença para palhoções em Maceió foram recebidos até o dia 24 de maio, quando seria encerrado o prazo para esse procedimento. O superintendente Edinaldo Marques admitiu, no entanto, que até a data da reunião com o Ministério Público, que deve ser agendada esta semana, os pedidos que chegarem serão recebidos para análise. A reunião com o MP será decisiva para definir quem poderá obter a licença. Ele explica que a SMCCU somente autoriza o funcionamento dos arraiais mediante a apresentação do Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros e do TAC relativo aos shows e eventos lavrado pela promotoria do consumidor. ### Fogueiras e fogos: perigo para crianças e adultos Bombeiros lembram que as tradicionais fogueiras não devem ultrapassar um metro de altura e devem ficar distantes da rede elétrica ou do meio da rua Segurança nos festejos juninos não se resume à contenção da violência. Refletindo o dito popular: quem brinca com fogo tende a se queimar, a farta mistura de fogueiras e fogos de artifício costuma fazer vítimas, principalmente entre crianças, nesta época do ano. A recomendação, segundo o coronel Edvaldo Nunes, diretor de serviços técnicos do Corpo de Bombeiros é sempre acompanhar as crianças no manuseio de fogos, mesmo os mais simples, como chuvinhas, e não deixar que elas cheguem perto da fogueira. ///