Cidades
Sujeira nas ruas aumenta risco de doen�as
FÁTIMA VASCONCELLOS Com a cidade tomada por lixo, aumenta o risco de doenças, independentemente do padrão de limpeza mantido no domicílio, já que os insetos se proliferam e invadem todos os espaços, como alerta o infectologista Marcelo Constant, lembrando, também, a multiplicação de bactérias em nosso meio, devido ao alto volume de sujeira nas ruas. Segundo o médico, a primeira conseqüência maléfica é o crescimento da população de ratos que, com o agravante da chuva, potencializa o risco de um surto de leptospirose. ?Nos últimos 15 dias já recebemos oito pacientes com a doença?, revelou o profissional, receoso dos que são contaminados e não procuram atendimento médico, afinal, leptospirose pode matar quando não é feito o tratamento correto e cedo. Outro grande inimigo da saúde, a barata, também se reproduz drasticamente diante do lixo ? para elas é uma grande festa. O inseto pode veicular febre tifóide, parasitoses em geral, inclusive ameba, cujo tratamento é meio complexo e o verme acarreta sérios danos ao organismo, como adverte o infectologista. Ele frisa também que o alto volume de lixo na cidade é um perigo para doenças diarréicas por bactéria, afinal, os insetos, como mosca, barata, etc., alimentam-se de fezes e, por onde passam, eliminam bacilos intestinais (que eliminamos nas fezes), causando doenças. O trânsito da bactéria é rápido: a mosca pousa no lixo, nas fezes, na água suja e na que consumimos. Ao tomarmos água infectada, podemos ter febre tifóide, diarréia e até mesmo desenvolver Hepatite A. O vírus desta doença também está presente nas fezes, logo, a mosca e barata podem disseminar a patologia ao contaminar os alimentos, como explica Constant, lamentando a sujeira da cidade. Cuidados De acordo com o médico, a pessoa que tem água de poço deve redobrar os cuidados. ?A água da chuva se contamina ao contato com o lixo e corre até o poço, causando a contaminação. No caso de quem quebra a tubulação da Casal para pegar a água na parte baixa da tubulação, o perigo é o mesmo. Geralmente se forma um empoçamento d?água pluvial, contaminando o que seria fonte de saúde?, adverte o infectologista. A secretária municipal de Limpeza Urbana, Rosa Tenório, alega que o volume de lixo aumentou por causa das chuvas e garante que neste fim de semana, inclusive hoje, domingo, a equipe de coleta trabalha em regime intensivo, a depender do bom tempo (sol), recolhendo a sujeira em todos os bairros. De acordo com Rosa, Maceió produz 1.500 toneladas de lixo por dia. ?Em junho tivemos uma situação atípica. Foi um mês cheio de festejos. Isto duplica a produção de lixo. Outro agravante é a chuva, que também colabora para o aumento da sujeira. Além do mais, a chuva deixa o trânsito lento e os caminhões de coleta têm dificuldade de transitar. Os dias de coleta foram mantidos, apenas houve um atraso devido à lentidão no trânsito. Há de se considerar, ainda, que com a chuva, alguns locais ficam com um acesso muito difícil, por causa da buraqueira. Tivemos caminhões que caíram no buraco e para sair foi preciso descarregar o veículo. Em seguida foi providenciada a coleta e a área ficou limpa pouco depois do acidente?, explica a secretária, pedindo compreensão às pessoas.