Cidades
Mulheres v�timas de viol�ncia dom�stica s�o maioria no CAV
FÁBIA ASSUMPÇÃO Mulheres vítimas de violência doméstica representam o maior número de atendimentos registrados pelo Centro de Apoio às Vítimas do Crime (CAV). Dos 67 atendimentos registrados pelo Centro, desde que foi criado em novembro do ano passado, 47 se referem à violência doméstica. Depois vêm os casos de ameaças (19), atentado violento ao pudor (6) e tentativa de homicídio (5), além de outros. O Centro de Apoio às Vítimas de Crime foi criado através de um convênio entre a Secretaria de Estado e Justiça e Cidadania e o Ministério da Justiça, com o objetivo de combater a criminalidade e a impunidade, prestando atendimento às vítimas de crime e aos seus familiares. A coordenadora do CAV, Aline Pedra, informa que o órgão oferece assistência psicológica, jurídica e social a qualquer pessoa que tenha sofrido agressão física ou moral. Apenas oito Estados brasileiros dispõem desse tipo de centro (São Paulo, Santa Catarina, Bahia, Paraíba, Alagoas, Espírito Santo e Minas Gerais), além do Rio de Janeiro, em fase de implantação. ?Existe uma gerência nacional que coordena os centros de todo o País, que são financiados pelo Ministério da Justiça?, explica Aline. Nesse primeiro ano de funcionamento, o Estado entrou com uma contrapartida de 30%. A cada ano o convênio com o Ministério da Justiça, para funcionamento do Centro, tem que ser renovado. ?Os planos para o próximo ano têm como objetivo expandir o atendimento do Centro para Rio Largo, por causa da sua proximidade com Maceió e por ter sido identificado com um dos municípios de mais alto índice de violência?, justifica Aline. A advogada Carla Cotrim Uchôa ? que faz parte da equipe do CAV ? acrescenta que a equipe do órgão presta atendimento itinerante, todas as segundas-feiras na Delegacia de Mulheres. Esse tipo de atendimento também será feito no Hospital de Pronto-Socorro (HPS), às terças-feiras, local onde chega um grande número de casos de vítimas de violência. Segundo ela, o perfil das pessoas que buscam o apoio do Centro é, na grande maioria, pessoas de baixa renda, com média de um salário mínimo de renda. ?Atendemos aqui vítimas de qualquer tipo de crime, desde lesões corporais, violência doméstica até abuso de autoridade?. A essas pessoas são oferecidos três tipos de atendimento: jurídico, psicológico e social, com a garantia do sigilo de sua identidade. Esse sigilo, afirma Carla, é um dos fatores que dão segurança às vítimas de violência para que denunciem seus agressores. Na área jurídica, a vítima recebe o apoio desde o acompanhamento ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de corpo de delito em caso de agressões, audiências em delegacias e encaminhamentos de processos. ?Só que até agora, não demos nenhum encaminhamento de processo, porque a maioria das vítimas prefere apenas prestar queixa em delegacia?, observa Carla. Alguns casos são encaminhados à Defensoria Pública.