Cidades
Tr�fico de crack domina Macei�
Em Maceió já existe até o que se pode comparar com a ?cracolândia?, área da cidade de São Paulo que ficou famosa na década de 90 por causa dos usuários da moléstia chamada ?nóia?. A cracolândia de Maceió fica no bairro da Pajuçara, por trás do ginásio do CRB e da sede do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (DNIT). Ali se pode comprar a ?pedra? facilmente, principalmente à noite. O quadro de violência que o maceioense enfrenta mostra que não se pode brincar com o tráfico de drogas. Mesmo que seus chefes tenham nomes jocosos, como Aranha, Tatuzinho, Barrinha. Eles não são marginais semi-analfabetos que comercializam 100 ou 200 gramas de crack, dois ou três quilos de maconha. ### Filhos da classe média no crime Adolescentes e jovens das classes média e alta também estão sendo engolidos pelo tráfico de drogas. Incontáveis famílias vivem o desespero de ver seus filhos dominados pelo vício e, em consequência dele, ingressar no mundo do crime. Um exemplo é Leo (cujo nome completo não vamos divulgar), jovem, filho de um fiscal de rendas e de uma médica. A privilegiada situação financeira deveria mantê-lo longe da criminalidade. Ao contrário, Leo é um traficante perigoso, bem armado, instalado num espaçoso apartamento numa das quadras mais chiques da praia de Jatiúca. Quando foi preso, passava em frente ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar de Alagoas, no Centro, com 25 quilos de maconha. Um jovem desafiador, que já está solto. ### Com medo, ninguém fala e nem vê nada ?Dona, a senhora vai s?imbora e eu fico? ? diz o pedreiro, que se identifica como Cícero, enquanto reboca a parede de um imóvel, no Conjunto Carminha, uma das unidades habitacionais do chamado complexo Benedito Bentes, região do Tabuleiro. A localidade está entre aquelas apontadas pelas autoridades de segurança pública como das mais violentas. É área sobre total domínio do tráfico. E é exatamente por isso que ali, como em toda periferia de Maceió, impera a lei do silêncio. Ninguém fala. E mais, mesmo diante de tiroteios, assassinatos, tráfico e consumo de drogas, a resposta é sempre a mesma: ?Vi não?, ?soube não?, ?conheço não?, ?passo o dia trabalhando, só chego de noite?. ### Policiais marcados para morrer Desde o início deste ano que a Polícia Militar vem trabalhando de forma planejada as operações de combate ao tráfico de drogas em Maceió. As ações já executadas permitiram a identificação e prisão de alguns dos maiores chefes em atuação na cidade. ?Temos conseguido efetuar algumas prisões graças ao trabalho de inteligência?, revela o coronel Dário César Cavalcante, comandante do Policiamento da Capital. O CPC tem, inclusive, oficiais marcados para morrer, em conseqüência do planejamento que levou à prisão de traficantes como Oswaldo, Caetano, Charlão, Nem Catenga, Moreninho, James, Tatuzinho, Fernando, Quinzinho, Denis, Adauto, Nau, Bruno, Etinho, Waldeck, Régis, Guinaldo e outros. ### Falta de Estado favorece crime A Polícia Militar tem sérias dificuldades para combater o tráfico. A ausência do Estado (poder público em nível estadual e municipal) nas comunidades é um dos graves problemas. Ao deixar de cumprir seu papel, os governantes empurram os jovens e as demais vítimas dos traficantes para a cadeia e para o crime. Não adianta o Bope, a Radiopatrulha ou outros batalhões da PM prender traficantes e seus chefes se, com a saída deles das favelas, os governos não atenderem as necessidades mínimas dessas comunidades, como saúde, moradia, educação, lazer. Os traficantes que saem são rapidamente substituídos por outros, e o ciclo de violência se reinicia. /// Tráfico de drogas na capital alagoana cresceu de forma vertiginosa nos últimos anos e atualmente não poupa ricos e pobres, crianças e adultos, todos são vítimas da face mais cruel do vício