Cidades
Ufal n�o consegue ajudar comunidades
Há anos, as comunidades de baixa renda localizadas no entorno da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) têm sido fontes de pesquisas e projetos desenvolvidos pelo universo acadêmico ? estudantes, professores e grupos temáticos ? em diversos aspectos sociais. Com a intenção de aprimorar o aprendizado, construir teses de conclusão de curso e de promover a extensão universitária, a comunidade acadêmica tem investido na vizinhança como em um laboratório vivo. Para alguns, essas pesquisas já resultaram em projetos que se traduzem em pequenos investimentos, que embora não tenham a força de promover mudança no perfil geral dessas comunidades, serviram de ponto de partida para um ou outro morador. Em outras comunidades, no entanto, o nível de pobreza é tão grande que as ações resultantes desses estudos passam quase que despercebidas. ### Crianças ficam sem escola e saúde A situação de miséria da Cidade de Lona também se reflete nas questões educacionais. No ano passado, um levantamento feito pela própria comunidade mostrou que cerca de 400 crianças de 7 a 10 anos de idade estavam fora da escola. Crianças como o pequeno Elias, que aos 13 anos parece ter nove, e frequentou a escola por menos de dois anos. Nem chegou a concluir a segunda série. Lá na Cidade de Lona, quem não consegue uma vaga no Colégio Gaspar de Mendonça ? o mais próximo da comunidade ? acaba ficando sem estudar, por causa da distância para outras escolas, e da falta de condições de transporte. ?Cerca de dez crianças são assistidas em regime de creche e alimentação no Cras [Centro de Referência em Assistência Social] do Dênisson Menezes. São levadas de Kombi, todos os dias pela manhã, e retornam para casa à tarde?, informa Ana Quitéria. ?O ideal era que fosse aqui, para mais crianças ter acesso?, complementa. ### Sem ações estruturantes, projetos não avançam De acordo com o relatório apresentado pelo professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Haroldo Ferreira à Sesau, em 2003, quando o projeto desenvolvido pelo Departamento de Nutrição estava ativo, todos os adultos da Cidade de Lona tiveram a pressão arterial aferida, e os hipertensos foram encaminhados para o Centro de Apoio Comunitário (CAC), onde participaram de um programa de educação e controle da hipertensão. Também foi realizado um treinamento em massa contra parasitoses envolvendo todas as crianças menores de dez anos, que passaram a ser acompanhadas pelo programa. As crianças desnutridas, segundo ele, passaram um período recebendo sopa do Soprobem, e houve, também, uma série de ações de incentivo ao aleitamento materno. ### Dênisson Menezes, uma parceria que serve de exemplo No Conjunto Dênisson Menezes, constituído por moradores de uma antiga cidade de lona que se formou por trás do sistema prisional na década de 90, seus habitantes parecem perceber com mais clareza as ações vindas dos programas de extensão universitária. A professora Ana Lúcia Moreira Santos, assistente social, pesquisadora e coordenadora do Projeto Vizinhança, da Ufal, é conhecida e bem recebida na comunidade. O trabalho de acompanhamento da comunidade é desenvolvido pelo Núcleo Temático de Assistencia Social (Nutas) desde 1999, quando o conjunto era, ainda, uma cidade de lona. E fez parte de um acordo com a prefeitura, nas preliminares para a construção das moradias. ///