loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Viol�ncia expulsa morador da periferia

Ouvir
Compartilhar

Morar na periferia de Maceió se tornou um desafio para milhares de famílias que são obrigadas a viver no fogo cruzado do tráfico de drogas e da violência. Sem saída e vivendo as regras impostas pelo narcotráfico, famílias inteiras criam seus filhos em meio a um ambiente de criminalidade, onde a lei que prevalece é a do mais forte. No Conjunto Santos Dumont, localizado no bairro do Tabuleiro e onde a Lei Seca chegou até a ser implantada ? com o intuito de reduzir os índices de homicídios ? vários imóveis estão à venda em um dos principais corredores do núcleo residencial, a Avenida Tancredo Neves, artéria de acesso à localidade. ### Gangues impõem toque de recolher nos bairros da capital Os moradores da periferia de Maceió, que residem nos conjuntos ?dominados? pelo narcotráfico, declararam que são obrigados a viver um ?toque de recolher? imposto pela violência. ?A partir das 22 horas, não se encontra mais ninguém nas ruas. A gente só sai de casa se for algo de vida ou morte. Quero sair de madrugada para apanhar uma ficha no posto de saúde, mas tenho medo. É justamente nesse horário que a coisa, na rua, acontece?, disse a dona-de-casa, Cícera Sabino, que mora há três anos no conjunto Village Campestre 2, numa casa situada a poucos metros de uma residência onde também ocorreu uma chacina em janeiro passado. ### Pouca freqüência da polícia facilita ações criminosas Segundo moradores do Santos Dumont, a Polícia Militar só aparece no conjunto quando é acionada para alguma ocorrência policial. ?A polícia só aparece aqui quando foge alguém do Cadeião ou do presídio. Antigamente, a gente dormia com a porta aberta. Hoje, durmo assombrada?, disse Nailma Santos. VALORIZAÇÃO Apesar da violência, famílias que residem próximas onde será construído o novo shopping de Maceió, no bairro do Tabuleiro, se negam a vender suas casas. ?A violência existe. Mas, essa área vai ficar valorizada. A gente ficou sabendo que serão construídas rodovias. Não vou vender minha casa agora. Podem me oferecer R$ 40 mil, que não deixo?, disse Cícera Santos, que teve a opinião compartilhada por outros moradores do Village Campestre. ?Uma senhora, que teve o filho assassinado, vendeu a casa. Compraram na hora. Apesar da violência, a gente não pára de ver casas sendo erguidas aqui?, disse o pedreiro José Carlos Costa. ### Crimes acontecem mesmo com patrulha O coordenador de Articulação Comunitária da Federação das Associações Comunitárias (Facom), Jonas Correia, declarou que morar no Tabuleiro e demais bairros da região se tornou perigoso, principalmente depois da 22 horas. Além da falta de policiamento nas vias públicas, o transporte coletivo reduzido, em função do horário, também contribui para o agravamento da falta de segurança. ?As empresas reduzem os veículos porque temem assaltos. Mas, os moradores correm sérios riscos estando na rua depois das 22 horas principalmente se tiverem de descer em pontos mais distantes de suas casas. O ?toque de recolher? é o medo das pessoas da ação dos assaltantes e traficantes?, frisou o líder sindical, acrescentando que até pelo dia, quando viaturas da PM e da Força Nacional circulam pela região, as ações criminosas ocorrem. ### Pontos comerciais da periferia também estão à venda O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Alagoas, Gilberto Irineu, declarou que, a polícia precisa ter um trabalho mais contínuo e sistemático nas comunidades. A exemplo do que vem ocorrendo no Conjunto Santos Dumont, onde a violência vem ?expulsando? os moradores de suas casas, que, assustados, estão colocando suas residências à venda, no Conjunto Galiléia, segundo o representante da OAB, há também casas que estão fechadas por conta do aumento da criminalidade. ?Quando as famílias deixam suas casas é porque, em geral, foram vítimas de alguma forma de violência. Nestes espaços, elas ficam expostas ao tráfico. Se o poder público não estiver presente nestas localidades, a violência aparece?, disse ele. /// No Santos Dumont, moradores tentam vender casas, mas não acham interessados na compra. Foto: José Feitosa

Relacionadas