Cidades
Via Expressa concentra 45% de acidentes
Cerca de 45 por cento dos acidentes que acontecem nas rodovias federais em território alagoano estão concentrados num trecho de apenas 11 quilômetros, dentro de Maceió. O levantamento recente feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) é apenas uma das faces da diversidade de complicações que se estendem pela Via Expressa ? ponto terminal da BR-316 no Estado. A média, segundo o superintendente regional da PRF, inspetor Gibson Magalhães, é de seis acidentes por dia em situação normal de trafegabilidade. Nos feriados, fins de semana e dias chuvosos esse número aumenta consideravelmente e alguns deles resultam em vítimas fatais. Outro aspecto desfavorável à Via Expressa. ### Ocupantes terão de recuar imóveis Ainda não se sabe quando vai ficar pronto nem quanto vai custar a execução do projeto, mas pelo menos 180 ocupantes da faixa de domínio já foram notificados: vão ter que recuar as construções para desocupar a área, e isso é para breve. O superintendente do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) quer aproveitar recursos que foram incluídos no orçamento deste ano para a BR-316, e que ainda não foram utilizados, para melhorar a Via Expressa. E isso significa correr contra prazos para não ter que devolver a verba no fim do ano. ?Queremos começar em outubro?, avisa ele. Outro projeto já está licitado e vem direto de Brasília: a implantação de 42 redutores eletrônicos de velocidade em rodovias federais alagoanas. O Dnit já decidiu que boa parte vai ficar na Via Expressa. ### Construções são obstáculo para ciclistas Tendo o entrocamento como ponto de partida da Via Expressa, a invasão da área de domínio é perceptível e contínua logo nos primeiros cem metros, seja com equipamentos móveis ou imóveis. O que deveria ser calçada é ocupado por muros, degraus ou produtos de lojas em exposição, principalmente veículos. Em vários pontos, a distância entre os postes de iluminação pública e a pista de rolamento, onde os carros passam em alta velocidade, é de poucos centímetros. Enquanto isso, pedestres e os ciclistas são obrigados a disputar espaço com automóveis em alta velocidade. Em nenhum local a Via Expressa tem acostamento. O que o seria, no projeto original, virou pista de rolamento. Ao longo da rodovia, o mato e as edificações são vizinhos do asfalto e cúmplices no perigo. ### Travessia é problema para usuários A Gazeta tentou, desde o início da semana passada, ouvir o superintendente da SMTT, coronel Jorge Coutinho, sobre o projeto da ciclovia, mas não conseguiu. Sua assessoria informou que ele estava muito ocupado com uma série de reuniões com a comunidade. Entretanto os problemas continuam para os usuários da Via Expressa. Um dos pontos mais críticos da Via Expressa é nas imediações do EcoPark, onde fica o Bar do Suruagy. A pista emenda, literalmente, com uma pequena encosta cheia de lama e de mato, sem deixar alternativa ao pedestre e ao ciclista, senão a concorrência com os carros. Não tem acostamento, nem calçada, nem espaço livre de um lado ou do outro da pista, o que deixa as pessoas expostas aos riscos iminentes de um atropelamento. ### Radar móvel é alternativa para trânsito O entendimento sobre a extensão da área da Via Expressa, segundo Fernando Fortes, está sendo analisado pelo setor jurídico do Dnit em Brasília. Mas uma coisa é visível e pacífica: a área de domínio foi totalmente ocupada ao longo de toda Via Expressa. Além disso, lembra o superintendente do Denit, faixa de domínio é diferente de área não edificante. E certamente a margem de uma pista não é área para se fazer edificações. Certamente a desocupação da faixa de domínio ainda vai acrescentar muitos problemas à extensa lista que permeia a Via Expressa. /// É preciso, muitas vezes, contar com a sorte para não se tornar estatística ao circular na via. Foto: José Feitosa