Cidades
Escava��es descobrem 'cemit�rio'
Uma surpresa a cada prospecção. Iniciadas em fevereiro do ano passado, as obras de restauração do conjunto franciscano de Marechal Deodoro continuam revelando, sob camadas de piso e paredes, detalhes arquitetônicos, artísticos e arqueológicos até então desconhecidos e que enriquecem ainda mais o patrimônio histórico e cultural da cidade. A descoberta mais recente está sob a camada mais antiga do piso da nave da Igreja de São Francisco ? também revelado recentemente ? onde sepulcros guardam ossadas, provavelmente do início do século 18. ### Equipes buscam financiamento para pesquisas O arqueólogo Yuri Batalha explicou que o Iphan, junto com os responsáveis pela administração do convento (Sociedade Nossa Senhora do Bom Conselho) e também os arqueólogos de Pernambuco vão trabalhar na elaboração de uma proposta de trabalho e de custos visando a busca de fontes de financiamento para uma pesquisa arqueológica no local, adequada com o andamento das obras de restauração do conjunto franciscano. Ele destacou, no entanto, que nem todas as campas encontradas na nave da Igreja de Santa Maria Madalena deverão ser alvo desses estudos, por causa dos custos. ### Cotidiano está cheio de surpresas Os visitantes classificaram a restauração como um momento histórico, ?contra a corrente da destruição da cultura?; e as descobertas como ?valiosíssimas?. ?Que bom que estamos aqui neste momento. Já vimos muitas situações de restauração do patrimônio no mundo inteiro, mas nunca um momento como esse, em que se revelam riquezas escondidas por traz de peças que estão sendo restauradas?, destaca o casal. A remoção do piso que revestia a nave da igreja ocorreu depois que uma prospecção revelou outra camada de surpresas, como um piso em lajotas de cerâmica e pedras, de procedência anterior às peças do revestimento atual, com detalhes de rica simbologia sobre as igrejas da época colonial do século 18, como degraus em diversos níveis ao redor dos altares. ### Descobertas atrasam e encarecem restauração As revelações no conjunto arquitetônico de Marechal Deodoro, embora sejam inestimavelmente importantes para o conhecimento e preservação da história de Alagoas, acabam aumentando, em muito, o custo e o prazo da obra. O orçamento inicial, que era de R$ 1.230.172,71 ? recursos do BNDES e uma parceria do Iphan ? já engordou em quase R$ 300 mil, segundo revelou o engenheiro Erlan Lyra. E deve aumentar mais ainda, com os estudos arqueológicos que devem ser feitos a respeito dos sepulcros. O prazo inicial, para execução da obra, que era de um ano, também já extrapolou em muito, e está indefinido. ### Arte sobrevive aos maus-tratos Um dos restauradores profissionais em cantarias que estão na equipe é Cristiano Gregório, que está no ofício há 11 anos, e garante que não lhe falta trabalho. Já atuou no Monumenta, em Penedo, em restaurações em Olinda e João Pessoa. ?Este daqui é um dos mais conservados que já trabalhei, o que impressiona, pelos maus-tratos que já viveu. As colunas eram lavadas com cloro e, na sequência, recebia jatos de produto químico. Além disso, tem a proximidade com a Praia do Francês. Tem situações em que os fungos estão a dois centímetros da superfície. É um trabalho muito delicado?, diz ele. ///