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Alagoas lembra 100 anos de imigra��o

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Até os 14 anos Sérgio Noboro Uemoto só podia falar japonês em casa. Português era proibido para ele, embora tenha nascido no Brasil, no interior de São Paulo. Filho de pais japoneses, Sérgio não aceitava a idéia. Queria não só falar português, mas namorar as garotas brasileiras. Na escola, a disciplina era um drama para ele. Como só falava em japonês, não conseguia se sair bem nas provas e um dia o pai foi chamado pela professora, que queria estabelecer um acordo: o garoto precisava falar e aprender português para conseguir acompanhar a turma. Foi só aí que o já adolescente ensaiou suas primeiras palavras em português. Daí por diante, não parou mais. Incorporou não só a língua, mas a cultura à sua vida. ### Noboro vibra quando fala dos pais japoneses Sérgio Noboro demonstra orgulho e paixão quando fala dos pais (Sumito e Kiyoko Syono), que aos 83 anos estão vivos e moram no interior de São Paulo. ?Quando meu pai chegou ao Brasil tinha 7 anos. Minha mãe veio aos 12. Aqui eles se conheceram e casaram. Tiveram quatro filhos. Minha mãe era costureira e meu pai por um bom tempo foi agricultor. Depois ele deixou o campo e passou a ser vendedor. Apesar das dificuldades sempre disse que formaria filhos ?doutores?. E assim foi. Formou um médico, um engenheiro industrial, um administrador de empresas e uma professora?, diz Sérgio, o único dos quatro irmãos que mora em Alagoas. ### ?Somos o que queremos ser?, diz sansei Na casa da também Sônia, só que Onuki, psicóloga e consultora de empresas, o lema é: ?Somos o que acreditamos ser. E quando acreditamos podemos ser tudo?. O ensinamento, passado para os quatro filhos, duas das quais gêmeas, vem da teoria: ?Sou um brasileiro com cultura japonesa?, lição que o filho João Júnior, o mais velho dos quatro, com 23, diz aprender diariamente com a mãe. E a cultura japonesa está de fato por toda casa, a começar pelas vestes. Todos guardam o quimono, roupa típica do País. Comida (algumas brasileiras com tempero japonês) e rituais também são mantidos. Mas é a reunião de grupos de amigos e da família que eles mais preservam. ### Tomomi, artista japonesa, vive em Maceió há 15 anos Tomomi Hayashi é o que se pode chamar de uma apaixonada por cães e gatos, como o é a maioria dos orientais. Em sua casa, no povoado de Barra Nova, em Marechal Deodoro, ela mantém 29 felinos e seis cachorros. Parece um exagero para qualquer pessoa, menos para Tomomi que considera a dedicação aos animais um prazer. Nascida em Tóquio, no Japão, ela mora em Alagoas há 15 anos. Diz que foi ?amor à primeira vista?, o mesmo amor que atraiu o médico Sérgio Noboro para Alagoas. Tomomi trabalhava como aeromoça, viajava o mundo até que um dia ?aterrissou? em São Paulo a trabalho. Gostou tanto do Brasil que resolveu ficar. No Sudeste, um amigo indicou para ela Alagoas como ?um lindo roteiro turístico?. ### Saga japonesa teve início em 1908 Há cem anos um grupo de homens, mulheres e crianças atravessou o mundo em busca de uma vida melhor, num País de cultura desconhecida e língua incompreensível. Tudo era estranho para eles: comida, o clima quente e até a religião. Não conseguiam entender nada. Lutavam apenas pela felicidade em terras tão distantes. Foi assim que se deu a epopéia dos primeiros imigrantes japoneses que desembarcaram no Brasil no início do século 20 como única saída para escapar da explosão populacional, que gerava a fome e a miséria, desemprego e o confisco de terras pelo governo daqueles que nem mesmo conseguiam sustentar a família, muito menos pagar os altos impostos praticados. Uma situação tão insustentável, que impulsionava o próprio governo japonês a incentivar a emigração. ### Nos cafezais, trabalho sob sol a pino Mas foi nos cafezais que eles sentiram na pele a dureza do trabalho que os esperava; horas embaixo de sol a pino para capinar e dar início ao plantio do café. Alojamentos precários também davam sinais do que a partir daquele momento eles sofreriam e ficava cada vez mais distante o sonho de acumular dinheiro e retonar ao Japão. Quando recebiam os primeiros salários já estavam quase devendo tudo, tantos eram os descontos. Eram verdadeiros escravos dos donos dos cafezais. Alguns não suportavam e fugiam. Quando tudo parecia perdido, passada quase uma década da chegada ao Brasil, eles conseguiram formar uma espécie de parceria na lavoura, onde mantinham contrato com proprietários de terras e assumiam em troca alguns compromissos, como desmatar o terreno, semear o café, cuidar da plantação e devolver a área em sete anos. ///

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