Cidades
Educa��o transformada em lixo
Fundado na primeira metade do século dezenove, a trajetória do Liceu Alagoano se confunde com a história da educação no Estado. Outrora uma das mais competentes instituições de ensino público no Brasil, por onde passaram nomes como os do lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989) e do poeta Jorge de Lima (1893-1953), o Liceu Alagoano se constitui hoje na prova cabal da decadência e do descaso do poder público com a educação, em Alagoas. Prestes a completar 160 anos, em maio de 2009, a escola vive dias difíceis e corre o sério risco ? se nenhuma providência for tomada ? de desaparecer. Além da imponência de dias passados e da qualidade do ensino, a histórica instituição perdeu também o nome. ### Alunos estão impedidos de praticar esporte Quando a reportagem esteve no antigo Liceu Alagoano, havia chovido pela manhã e foi possível constatar o que diziam os diretores. ?A única coisa que dá para fazer na sala, nos dias de chuva, é jogar pólo aquático?, brincou Jandeyvsson Lins, aluno do 1º ano. Enquanto aguardavam o professor,ele e os amigos se encarregaram de enxugar a classe. Como se não bastasse, os alunos estão impedidos de praticar esportes. O antigo Ginásio Estadual, no Centro, onde as atividades físicas eram realizadas, foi cedido para a construção do Restaurante Popular. ### Relíquias estão desaparecendo no Liceu O passado glorioso e o prestígio do velho Liceu estão esquecidos e trancados em uma pequena sala. Mesmo dilapidado ao longo do tempo, o que restou do arquivo e do patrimônio do Liceu é um verdadeiro tesouro para quem valoriza a história. Amontoados e precariamente divididos por décadas estão livros imensos onde constam os registros de um século e meio de atividade educacional. É possível consultar o livro de ponto da instituição do ano de 1898 e de décadas seguintes. O velho piano alemão da marca M. Schwartzmann que encheu de música o salão nobre do Liceu, na década de 1950, jaz mudo. ### Documentos estão se perdendo É incrível a quantidade de ?famosos? de Alagoas que passaram pelas salas do velho Liceu Alagoano. O grande poeta Jorge de Lima (1893-1953) foi um deles. A artista plástica e membro da Academia Alagoana de letras, Solange Chalita, que lecionou na década de 1960 no Liceu, ressalta a importância histórica dos arquivos do Liceu Alagoano e das teses que eram apresentadas obrigatoriamente na admissão dos professores. ?Essas teses estão lá. É preciso que providências sejam tomadas no sentido de preservar esse arquivo, que é muito rico?, diz Solange Chalita ao relembrar o trabalho do então jovem postulante ao cargo de professor do Liceu, o poeta Jorge de Lima. ///