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LUTA PELA VIDA

Estimativa aponta 130 novos casos de câncer infantojuvenil em Alagoas

Pais e pacientes assistidos pela Apala relatam que amor é fundamental no processo da dor e cura

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Um amor sem limites, que não impõe condições, é parceiro da sobrevivência na luta contra o câncer. Jainara tem apenas três anos e enfrenta uma leucemia, e Maria Jaciara, de 17, um tumor cerebral. Elas conhecem bem essa entrega de afeto, cuidado e admiração. Amar e ser amada é parte do processo, da dor e da busca pela cura.

A garotinha Jainara brinca com panelinhas e pratos de plástico, não para de sorrir. Mexe para lá e para cá um macarrão imaginário numa sala bem colorida e acolhedora da Apala, no bairro Gruta de Lourdes, enquanto a avó Maria Madalena – que largou tudo para cuidar da neta – conta feliz que Jainara é forte e vai ficar boa.

Já Maria Jaciara é uma jovem bem tímida, mas muito determinada em fazer Direito e virar uma promotora de Justiça.

Moradoras dos municípios de Anadia e Feliz Deserto, respectivamente, Jainara e Maria Jaciara fazem tratamento em Maceió e integram uma estatística dura. A nova edição do Panorama de Oncologia Pediátrica, do Instituto Desiderata, estimativa 130 novos casos de câncer infantojuvenil em Alagoas neste ano.

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O estado tem ainda a 3ª maior taxa de mortalidade do Nordeste e a 7ª do Brasil quando o assunto é câncer em crianças. Os dados são corroborados pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). “Sou assistida pela Apala há dez meses. Minha filha estava cuidando dela (a garota), mas não teve paciência e eu estava longe. Então eu vim embora para cá para tomar conta da minha neta e hoje ela está bem melhor e está quase curada”, declara Maria Madalena da Silva, avó de Jainara, que resolveu largar a rotina em São Paulo para cuidar da neta.

Madalena sai de Anadia e passa de três dias a uma semana na Apala, em Maceió. Na capital, Jainara faz exames e quimioterapia a cada 15 dias.

“Quando eu descobri que ela estava doente ela já estava em tratamento com a mãe dela. Hoje ela é uma menina saudável. Antes ela não tinha saúde. Cheguei a ver minha neta muito doente, ela desmaiava, não andava, não comia e hoje Jainara é outra pessoa. Me sinto feliz porque vejo ela com saúde”, declara Madalena, mãe de cinco filho e avó de uma única neta, a Jainara. Uma vida dedicada à garotinha de 3 anos.

HISTÓRIAS DE AMOR E LUTA

Fernanda da Silva, mãe de Maria Jaciara, atualmente passa mais dias em Maceió do que em Feliz Deserto, onde está sua casa. De segunda a sexta-feira a jovem faz radioterapia. “É melhor a gente ficar aqui na Apala, não compensa ir para casa. Desde que descobrimos o caso dela, no dia 13 de agosto do ano passado, eu não trabalhei mais”, diz.

Jaciara tinha fortes dores de cabeça e nas costas, crises de vômito e não conseguia estudar. Até fechar o diagnóstico foram meses. “Somente quando fez a tomografia do crânio foi descoberto o tumor glioblastoma de alto grau, após exames em Maceió. Aí ela fez a cirurgia no dia 9 de setembro na Santa Casa e retirou o tumor. Fez quimioterapia e, agora, pegou 30 sessões da radioterapia. Estamos na luta”, fala Fernanda, que é mãe de três filhos, está sem trabalhar desde que a filha adoeceu e sem apoio do ex-companheiro.

A mãe, no entanto, está confiante, mas sabe o longo caminho até a cura da filha, após tratamento que deve durar até dois anos. “Quando eu descobri a doença dela, fiquei sem chão. Pensei, meu Deus, o que será agora? Eu sozinha no mundo? Pedi força a Deus e a ajuda da Apala foi muito importante, porque deu muita força para a gente suportar tudo isso. Estou confiante e tenho muita esperança, e ela me passa muita energia positiva”, afirma.

DADOS DO CÂNCER

O câncer é a primeira causa de morte por doença em crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos no Brasil. Em Alagoas, a taxa média de mortalidade por câncer infantojuvenil é de 48,8 por milhão de crianças e adolescentes, resultando em 381 óbitos entre 2016 e 2022. O estado fica atrás apenas do Rio Grande do Norte (49,9) e do Piauí (56) na região Nordeste.

Com uma população infantojuvenil de pouco mais de um milhão, Alagoas estima 130 novos casos de câncer em 2024, mas conta com apenas dois hospitais habilitados para oncologia pediátrica.

Entre as principais causas de mortalidade infantojuvenil entre 2016 e 2022, 7,2% foram neoplasias (tumores), responsáveis por 365 óbitos. Doenças do sistema nervoso e do aparelho respiratório foram responsáveis por 285 e 284 mortes, respectivamente.

As estimativas do Inca apontam que entre 2023 e 2025 serão diagnosticados 7.930 casos anuais de câncer em crianças e adolescentes no Brasil, com um risco estimado de 134,8 casos por milhão.

Os tipos mais comuns de câncer infantil são: leucemias e linfomas (39,7%), tumores sólidos e do sistema nervoso central (53,8%). Os principais tipos incluem leucemia, linfoma, tumores cerebrais, câncer nos rins, músculos, olhos e ossos.

A APALA

A Apala (Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas) é uma instituição sem fins lucrativos, reconhecida como utilidade pública municipal, estadual e federal, mantida exclusivamente por doações de pessoas e empresas e pelo trabalho de voluntários. Atualmente, atende 271 famílias em Alagoas.

Criada em 1993, a entidade começou oferecendo assistência a crianças e adolescentes com leucemia. A partir de 1996, expandiu seu atendimento para todos os tipos de câncer infantojuvenil e para adultos com leucemia que precisam de apoio.

A instituição recebe pacientes de todo o estado, uma vez que apenas em Maceió há tratamento oncológico pediátrico. Funciona como Casa de Apoio, oferecendo hospedagem para pacientes e acompanhantes, refeições diárias, acompanhamento social, psicológico e odontológica, além de cestas básicas, auxílio para compra de medicamentos, transporte para tratamentos e exames.

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