FACÇÃO DESBARATADA
Armas e drogas apreendidas em operação pertencem a traficante alagoano que vive no RJ
Forças de segurança descobriram que imóveis da orla lagunar são comprados para expandir facção criminosa e ‘lavar dinheiro’ do tráfico
A operação deflagrada na quarta-feira (19) pelas forças de segurança de Alagoas trouxe à tona pontos importantes sobre a atuação de uma facção criminosa, liderada pelo traficante alagoano “Nem Catenga”, que mesmo vivendo no Rio de Janeiro e com seis mandados de prisão contra ele, ainda envia drogas, armamento e teria ligação com a compra de imóveis na parte baixa da cidade, mais especificamente na orla lagunar, usados para lavar dinheiro do tráfico.
Durante a operação – que é um desdobramento de outra ação realizada no ano passado que desbaratou organização criminosa que atuava em Alagoas – resultou na apreensão de mais de 210 quilos de drogas, 1.389 munições e sete armas, incluindo um fuzil.
Entre os itens apreendidos, destacam-se seis armas de fogo, incluindo um fuzil calibre 556, duas submetralhadoras calibre 9mm, duas espingardas calibre 12, um revólver calibre 38 e uma espingarda de pressão. Além disso, foram confiscados 210,6 quilos de entorpecentes, sendo 178 kg de maconha, 28,6 kg de crack e quatro quilos de cocaína.
“O material pertence a ele (traficante Nem Catenga), que está enviando as drogas para abastecer o tráfico de drogas nas regiões que ele comanda o tráfico, especialmente os bairros do Vergel, da Levada e adjacências, na orla lagunar e o armamento é para aumentar o poderio bélico, digamos assim, da facção, sobretudo para fazer frente a grupos rivais e fazer ataque a grupos rivais”, explicou o delegado Gustavo Henrique, chefe da Inteligência Integrada da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
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Em relação à lavagem de capitais, Gustavo Henrique diz que é comum usar os lucros adquiridos com o tráfico de drogas e, para esconder a origem ilícita, compra-se imóveis.
“Uma peculiaridade desse grupo é investir dinheiro na aquisição de imóveis mais populares, que consegue comprar só com contrato de compra e venda, que não é registrado em nenhum local porque aí fica difícil para o Estado e as forças policiais identificarem para onde o dinheiro do tráfico está sendo canalizado”, explicou Gustavo Henrique.
Uma denúncia anônima às forças de segurança levou à descoberta das armas, drogas, documentos de venda de imóveis e dinheiro, que estavam escondido dentro de dois veículos utilizados como depósito pelo grupo criminoso, em estacionamento privado no bairro do Prado, em Maceió.
A equipe da Inteligência Integrada da SSP, em parceria com o Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), ROTAM e Ministério Público, montou uma vigilância no local.
De acordo com o delegado Gustavo Henrique, chefe da Inteligência Integrada da SSP, um casal em uma motocicleta chegou ao local e foi abordado pelos policiais. Com o homem, a polícia encontrou uma arma, dinheiro em espécie, uma pequena quantidade de maconha e as chaves dos carros.
Ao abrirem os veículos, localizaram as drogas e as armas, além de documentos relacionados à compra e venda de imóveis na parte baixa da cidade, adquiridos por meio de lavagem de dinheiro das drogas. Os ilícitos estavam distribuídos em vários compartimentos dos dois veículos.
"O fuzil, temos fortes indícios que é contrabandeado do Paraguai, as demais armas, uma delas não tem numeração as outras têm e a partir disso a Dracco vai aprofundar para saber se foram registradas e em nome de quem e se isso aconteceu, como foram parar no mundo do crime", explicou Gustavo.