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A LONGA JORNADA POR JUSTIÇA

Defesa, acusação, jurados, testemunhas, e a missão de condenar ou inocentar uma pessoa

Tribunal do Júri é o grande artifício da democracia

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Defesa e acusação se enfrentam no Tribunal do Júri
Defesa e acusação se enfrentam no Tribunal do Júri | Foto: Ascom/MP-AL

Quando o assunto é Justiça, o Tribunal do Júri é o grande artifício da democracia, onde defesa e acusação se enfrentam em busca da verdade, sob os olhares atentos de um grupo de cidadãos comuns, que assumem o papel de jurados e carregam a responsabilidade de decidir o destino de um réu, tendo como base os argumentos apresentados por ambas as partes. O juiz conduz o julgamento, garantindo que as regras sejam cumpridas, mas são as vozes dos defensores e acusadores que ecoam nas salas onde se busca por justiça, moldando as percepções e influenciando os vereditos.

A essência desse modelo de julgamento está no direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios fundamentais, garantidos pela Constituição Federal, para assegurar que a decisão final seja justa. O réu tem o direito de rebater todas as acusações, de ser ouvido e de apresentar sua versão dos fatos. Do outro lado, em regra, a promotoria busca sustentar sua tese com provas e argumentos contundentes.

Esse embate jurídico não é apenas um protocolo legal, mas um mecanismo que visa evitar condenações arbitrárias e permite que a Justiça cumpra seu verdadeiro papel: o de punir os culpados e absolver os inocentes.

A participação dos jurados, pessoas do povo sem formação jurídica, reforça a legitimidade do Tribunal do Júri, fazendo com que ele se torne um reflexo da sociedade. Eles não estão ali para seguir normas técnicas, mas para avaliar as provas e testemunhos sob a ótica do senso comum, garantindo que o julgamento tenha um caráter democrático e acessível.

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Ao término de um júri, é normal que, ao menos para um dos lados da história, venha a sensação de que a Justiça não foi feita, mas o que prevalece é sempre o entendimento do povo, afinal, como afirma o defensor público estadual João Augusto Sinhorin, a decisão dos jurados é inalterável e deve ser aceita e respeitada.

“Sempre existem decisões que julgamos no nosso íntimo que foram injustas. Mas elas precisam ser aceitas e respeitadas. A decisão dos jurados, seja pela condenação ou pela inocência, é inalterável e nenhum juiz ou tribunal pode mudar isso. No máximo, quando muito, pode ocorrer uma nulidade do processo que permita que a pessoa seja novamente julgada”, destaca o defensor.

Militar inocentado

Quando um crime ganha repercussão, os réus ainda precisam enfrentar o julgamento das ruas, que pode, de uma forma ou de outra, influenciar na decisão dos jurados. Um dos casos emblemáticos ocorridos em Alagoas e cujo julgamento ocorreu no final do ano passado, é o do desaparecimento do pedreiro Jonas Seixas, que sumiu após ser conduzido por PMs em uma viatura.

Cinco militares foram pronunciados, julgados e absolvidos pelo crime. Na ocasião, os jurados entenderam que não havia provas suficientes que indicassem o envolvimento deles no desaparecimento da vítima, que nunca teve o corpo encontrado. Sensação de alívio para os réus, e de impunidade para os familiares de Jonas, que até hoje não viram ninguém ser condenado pelo sumiço dele.

O policial militar Jardson Chaves Costa, de 31 anos, é um dos que foram submetidos ao júri popular nesse caso. Ele conta que foram quatro anos de espera pelo júri, um período de muita instabilidade, no qual os planos de vida ficaram travados e foi preciso recorrer à ajuda psicológica para superar as adversidades e continuar acreditando que a verdade viria à tona e a justiça seria feita.

“Passar por isso não é fácil, principalmente para quem sempre buscou fazer tudo correto na vida, que dava o sangue pela sociedade. Esperei ansiosamente para o tão esperado dia de poder externar tudo para os jurados e os outros presentes ao júri. Enquanto aguardava, fui acompanhado por psicólogos particulares e da corporação, que me prestaram um excelente apoio e foram fundamentais para que eu pudesse entender que toda situação tem um fim, e que a verdade, por mais que demore a acontecer, virá”, relata.

Ele conta que, enquanto aguardava pelo julgamento, passou por muitos dias de dor e angústia, situação que também afetou os familiares deles e os amigos. “Foram dias difíceis, de muita angústia, situação que mexe com a saúde de quem nos ama. É necessário muita união é fé”, diz. Ao final de todo o processo, e com a absolvição, o cabo PM Jardson tenta, agora, retomar a vida, o que não é uma missão fácil. Ele diz que aprendeu, com toda essa situação, a não fazer julgamentos precipitados, pois sentiu na pele o quanto isso traz sofrimento.

“Antes que eu pudesse ser julgado, houve uma pré-condenação, principalmente por se tratar de um processo criminal de repercussão, no qual a defesa plena foi ouvida apenas no julgamento. Sobre ter uma vida normal, confesso que não sei se isso é possível, foram tantas cicatrizes, tanto abalo emocional, que estou tentando retomar tudo, recuperar o amor que eu sentia em trabalhar e ajudar o próximo sem medo de injustiças. Mas não é fácil”, destaca Jardson, que após passar dois anos afastado da corporação militar por problemas de saúde mental, hoje está de volta, realizando trabalhos internos, pois ainda não conseguiu voltar para as ruas.

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