Cidades
Congresso discute fim dos fum�dromos
Primeiro veio uma lei federal que, nos idos de 1996, proibiu o fumo em ambientes fechados. Depois, foi a vez dos ?fumódromos?, espaços criados graças a brechas deixadas pela lei que tentou banir o cigarro nesses locais. Agora, o governo federal surge com uma nova ofensiva contra o hábito de fumar, que promete dá o que falar. Um projeto de lei será enviado ao Congresso Nacional, modificando o artigo 2° da Lei 9.294. O projeto acaba de uma vez por todas com as áreas destinadas aos fumantes, inclusive em bares e restaurantes. Fumar, agora, só na rua ou dentro de casa. ### Proibição ao fumo já causa rebuliço entre comerciantes Apesar do frisson causado pelo projeto de lei Brasil afora, em Alagoas a medida que acaba com os fumódromos em ambientes fechados ainda é novidade para a população, comerciantes, profissionais da saúde e os próprios fumantes. Mas à medida em que ganha repercussão no Centro-sul, começa a causar rebuliço também por aqui. O presidente da Associação dos Bares, Restaurantes e Similiares de Maceió, Sandro Xavier anuncia que uma mobilização de comerciantes, inclusive na capital alagoana, está prevista para os próximos dias, na tentativa de impedir que o projeto de lei seja aprovado pelo Congresso Nacional. ### Há quem aposte no insucesso do projeto A presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes no Estado, Eliete Moraes, teme os prejuízos que a mudança deve causar aos estabelecimentos, mas diz que ?lei é para ser cumprida? e acredita que ?aos poucos as pessoas vão se adequando?. Ela cita como exemplo a lei seca, ?que apesar de ter reduzido o número de acidentes, não fez as pessoas pararem de beber?. ?Como ainda se trata de projeto de lei, dá para alterar. Defendo que haja uma área reservada só para os fumantes, como existe em bares de Maceió e campanhas de conscientização. Só isso pode ajudar as pessoas a pararem de fumar?. ### Nos bares, resistência à mudança na lei É nos bares e restaurantes que a mudança na lei deve causar mais resistência, principalmente dos fumantes. Apesar de muitos defenderem as campanhas contra o tabagismo, eles temem as conseqüências do que consideram um excesso do governo ao impedir que as pessoas fumem em áreas reservadas. Gerentes e proprietários, no entanto, são da opinião de que a adaptação à mudança ?é só questão de tempo?. ?Tenho certeza que ninguém vai deixar de sair de casa simplesmente porque é proibido fumar em restaurante?, diz Michelle Freire, gerente de um movimentado restaurante no bairro Stella Maris. ?A lei seca, por exemplo, não afetou em nada nosso movimento?, ressalta ela, que acredita que ?cabe ao fumante e ao restaurante respeitarem a lei. Nós, como sempre fizemos, vamos acatar o que for decidido pelo governo?. ### Pneumologista discorda de campanha O médico pneumologista Carlos Eugênio Rocha está entre os que não concordam com as campanhas do governo contra o tabagismo. E diz o porquê: ?Só se muda comportamento com educação. Essas campanhas dão dinheiro, mas com uma semana as pessoas esquecem?. Levar um indivíduo a parar de fumar, diz o médico, ?deve ser um processo contínuo, que envolva todos, que tenha efeito duradouro, permanente e eficaz?, afirma. Pós-graduado em tabagismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e formado pela Universidade Federal de Alagoas há 30 anos, Carlos Eugênio Rocha é ex-fumante. ///