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APÓS CONFISSÃO

Justiça suspende júri de inocente após confissão de serial killer em caso de homicídio de idosa

Reviravolta nas investigações aponta Albino Santos Lima, acusado de 18 assassinatos, como verdadeiro autor do crime

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Albino Santos confessou assassinato de Genilda Maria da Conceição
Albino Santos confessou assassinato de Genilda Maria da Conceição | Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça de Alagoas determinou a suspensão do Júri Popular que julgaria Antônio Guilherme dos Santos pelo assassinato de Genilda Maria da Conceição, 78 anos, ocorrido em 2019, no bairro da Chã da Jaqueira, em Maceió. A decisão veio após a Polícia Civil confirmar que o crime foi cometido pelo serial killer Albino Santos Lima, atualmente investigado por 18 homicídios.

Antônio Guilherme passou quase três anos preso pelo crime e seria julgado no dia 6 de março, mas as novas provas levaram a Polícia Civil a reconhecer o equívoco e solicitar à Justiça a suspensão do julgamento. O Ministério Público de Alagoas concordou com o pedido, e a Justiça retirou o processo de pauta.

O crime e a investigação inicial

Genilda Maria da Conceição foi assassinada a tiros no Beco do Zé Miguel, enquanto levava seu neto, de 10 anos, para a escola, no dia 6 de fevereiro de 2019. A criança testemunhou o crime e descreveu o atirador como um homem alto, forte e careca, vestindo calça jeans e camisa do São Paulo.

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A investigação inicial focou no reconhecimento feito pelo neto da vítima, que identificou Antônio Guilherme através de vídeo enviado à Polícia Civil. A família da idosa, inicialmente, acreditava que o crime poderia estar relacionado ao tráfico de drogas, pois a vítima frequentemente reclamava do uso de entorpecentes perto de sua casa.

O nome de Antônio Guilherme surgiu no processo a partir de uma denúncia anônima de março de 2019, que o descrevia como envolvido com o tráfico na região. Com base nisso, a Polícia Civil apresentou imagens ao neto de Genilda, que, à distância, apontou Antônio como suspeito.

Assim, ele foi indiciado, denunciado e pronunciado a júri popular, chegando a ficar preso por quase três anos.

A confissão

A investigação teve uma reviravolta após a prisão do serial killer Albino Santos Lima, em setembro de 2024, por envolvimento no assassinato da adolescente Ana Beatriz, de 13 anos. Durante a perícia em seu celular, os investigadores descobriram anotações detalhadas sobre todas as suas vítimas, incluindo Genilda Maria da Conceição.

Inicialmente, Albino foi ligado a 10 homicídios entre 2023 e 2024, mas a análise aprofundada do aparelho revelou outros oito crimes cometidos entre 2019 e 2020, incluindo o da idosa. As anotações continham o nome completo da vítima, idade e data do assassinato, o que reforçou a autoria do crime.

Confrontado com as provas, Albino confessou o homicídio de Genilda e de outras vítimas listadas em seu celular. Diante da nova evidência, a Polícia Civil reconheceu o erro na condenação de Antônio Guilherme e pediu à Justiça a suspensão de todas as medidas processuais contra ele.

Erro na investigação

A nova conclusão da Polícia Civil destacou falhas no reconhecimento da testemunha. O relatório aponta que a memória de uma criança pode ser influenciada por fatores externos, como sugestões de familiares ou exposição prévia à imagem do suspeito.

“As investigações à época foram concluídas com base em parcos indícios, extremamente frágeis”, reconheceu a Polícia Civil no novo relatório.

A defesa de Antônio Guilherme, representada pelo advogado Arnon de Mello, reforçou que seu cliente foi vítima de um erro judicial que custou três anos de liberdade e causou danos irreparáveis à sua vida.

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