loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 31/07/2026 | Ano | Nº 6279
Maceió, AL
23° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

NOSTALGIA

Foliões populares relembram carnavais de antigamente em AL

Do corso ao frevo, da crítica política ao mela-mela, a festa de Momo mudou

Ouvir
Compartilhar
Bailes de máscara e concursos de fantasia animavam carnaval na capital
Bailes de máscara e concursos de fantasia animavam carnaval na capital | Foto: GA

“Recordar é viver.” Seguindo esse ditado popular, foliões alagoanos mergulham nas memórias dos carnavais de antigamente, quando as ruas de Maceió vibravam ao som do frevo, dos maracatus e dos corsos que animavam o Jaraguá, a Praia da Avenida e diversos municípios do estado.

Com o passar das décadas, a folia alagoana atravessou diferentes fases. De banhos de mar à fantasia na Avenida da Paz a bailes de máscaras e concursos de fantasias nos clubes, o carnaval local evoluiu, abraçando trios elétricos, festas privadas e novas formas de se fantasiar. Mas, para os amantes da festa tradicional, a nostalgia ainda pulsa forte.

A foliã e pesquisadora cultural Carmen Lúcia Dantas acredita que existe uma transformação, mas a essência é mantida. “O carnaval, como festa popular, veste a fantasia da sua época, mas não perde os fundamentos históricos. Há músicas que são verdadeiros clássicos, como ‘Mamãe Eu Quero’ e ‘Máscara Negra’, que nos fazem voltar ao passado sem perder a cadência do presente. Minhas lembranças se alimentam desses carnavais e, como num passe de mágica, o tempo me concede uma juventude momentânea, que me faz aproveitar esse período na plenitude da sua efervescência”, destaca.

Já Beatriz Brandão, embaixadora da folia do Bloco Filhinhos da Mamãe, afirma que nasceu para o carnaval. Nascida num sábado de Zé Pereira, sua mãe sempre dizia que ela veio ao mundo ao som do frevo, pois da maternidade se ouvia a alegria do corso nas ruas.

Shorts Youtube
Play
Caso Nayane: laudo do IML não encontra sinais de violência, mas investigação continua

Caso Nayane: laudo do IML não encontra sinais de violência, mas investigação continua

Play
Gari de 31 anos é morto a tiros no Vergel do Lago, em Maceió

Gari de 31 anos é morto a tiros no Vergel do Lago, em Maceió

Play
Acidente mata agente comunitária de saúde em Palmeira dos Índios

Acidente mata agente comunitária de saúde em Palmeira dos Índios

Play
Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026

Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026

Play
Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026

Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026

“Quando cresci, passei a viver intensamente os carnavais, tanto nas ruas do Centro como nos clubes sociais de Maceió, Viçosa e Capela. Minhas fantasias eram costuradas por minha mãe e minha avó. O que mais me dá saudade? O conjunto da obra: fantasias, marchinhas, mela-mela e os encontros com pessoas que tinham o mesmo objetivo: brincar até a Quarta-feira de Cinzas”, relembra Beatriz.

Apesar das boas lembranças, a foliã lamenta a perda de costumes. “Os interesses foram mudando, os corsos desapareceram, as festas nos clubes rarearam. Se antes havia um Carnaval espontâneo, com familiares e amigos curtindo até o último acorde, com o tempo vimos a presença de excessos e brigas, o que nos deixava desconsolados.”

O folião e criador do Bloco Nega Fulô, Carlito Lima, também sente falta do tempo em que a cidade começava a festa 15 dias antes do carnaval, com orquestras de frevo em cada esquina e corsos circulando pelas ruas do comércio.

“Havia concursos de fantasia, desfiles de blocos e escolas de samba, além das críticas ao governo e à sociedade. Minha casa era ponto de encontro para amigos, e meu pai mantinha as portas abertas para completar a festa. Hoje, tudo mudou. O carnaval foi se acabando aos poucos e se concentrando apenas nas prévias”, lamenta Carlito.

Ele lembra que Maceió ficou mais de 20 anos sem carnaval, o que resultou em prejuízo cultural e econômico. “Costureiros, hotéis, músicos e comerciantes lucram. No exterior, isso é chamado de economia criativa, pois sintetiza a criatividade de um povo”, enfatiza.

Para Ronaldo de Andrade, a festa de momo sempre foi palco de críticas sociais e políticas, mas esse aspecto tem se perdido com o tempo. “Antes, o Carnaval ridicularizava o poder e fazia o povo refletir. Hoje, não temos mais os desfiles de corsos, nem o espírito crítico dos anos 20, 30 e 40. As pessoas estão comprometidas, com medo de falar. O que resta é um Carnaval mais voltado à estética, sem a irreverência do passado”, critica.

Segundo ele, esse esvaziamento de sentido é um alerta para a sociedade. “É uma forma muito insossa de fazer Carnaval, principalmente se compararmos com os grandes carnavais de antigamente”, conclui.

Relacionadas