Cidades
Uma hist�ria de amor e crime
Noite de sexta-feira, dia12 de setembro de 2008. Como sempre fazia, a jovem Ana Maria Lima, 26 anos, despediu-se das amigas e deixou o trabalho em um supermercado no bairro da Levada, em direção à casa onde morava, na Chã da Jaqueira, com a única filha, uma garotinha de sete anos. Mesmo sem imaginar, aquela seria a última vez que as colegas a veriam com vida. Dez dias depois, o corpo de Ana Maria foi localizado em uma cova rasa, escavada na varanda da própria casa. O assassino, o companheiro Argemiro Alves de Melo, 63, com quem Ana mantinha um romance, desde os 15 anos de idade. Casado, Argemiro, que tem outros três filhos e cinco netos, confessou o crime e está preso desde a noite do dia 22, pouco depois de o corpo de Ana ter sido encontrado. Usou martelo e faca para matar a mulher com quem se relacionou durante 11 anos. ### Família não aceitava o romance Considerado um homem extremamente ciumento, Argemiro Alves controlava os passos de Ana Maria. Há mais de um ano, comprou uma casa na Chã da Jaqueira, mobiliou e a levou para morar. Foi lá que a jovem acabou assassinada pelo companheiro. Na mesma época, Ana conseguiu emprego em um supermercado e começou a trabalhar como operadora de caixa. Reclamava para a família que Argemiro não queria mais sustentar a filha. ?Ultimamente ele dava R$ 100 para a menina. Dizia que era muito e queria baixar. Minha irmã disse a ele que a Justiça iria decidir e foi então trabalhar para sustentar a filha?, conta Jesiel Francisco de Lima, 30 anos, irmão de Ana, o mais velho dos homens. ### Irmãos recolhem as lembranças Na quarta-feira, dia 24, os irmãos Jesiel e José e um dos primos de Ana Maria tiveram a difícil missão de abrir a casa onde a jovem foi assassinada. Coube a eles recolher os pertences de Ana Maria e levar para Boca da Mata o que restou do que ela tentou construir ao lado de Argemiro. Em um caminhão, eles transportaram móveis, roupas, utensílios, brinquedos da filha do casal e fotos, muitas fotos de um romance que acabou em tragédia. A casa, de dois quartos, duas salas, garagem, uma varanda, cozinha, banheiros e primeiro andar, que está em fase de conclusão, pertence a Argemiro, que também é dono de outros imóveis alugados. ### ?Ela era como uma irmã?, diz melhor amiga Andréia Maria da Silva, 26, sentava lado a lado daquela que considera sua melhor amiga. As duas trabalhavam como operadoras de caixa de supermercado e, aos poucos, construíram uma amizade além do trabalho. Casada, Andréia costumava freqüentar a casa de Ana e Ana a casa de Andréia. Nos momentos de lazer e nos de tristeza, as duas também estavam juntas. Hoje, Andréia chora a morte da amiga. ?Estou arrasada. Ela era para mim como uma irmã?, lamenta. A jovem não tem dúvida de que foi o ciúme doentio que levou Argemiro a matar Ana Maria. ?Ela estava deprimida, chorava muito, não queria comer por causa das ameaças dele. Dizia que ele era muito ciumento e que o acontecesse com ela a gente comunicasse à polícia. Chorávamos juntas e a orientamos a procurar a polícia. Como eu estou de férias, dizia que quando eu voltasse ela iria comigo na delegacia, mas mesmo assim achava que ele não tinha forças para ela por causa da idade?, recorda Andréia Maria. ### Argemiro comunica desaparecimento Foi o próprio Argemiro quem ligou para a família de Ana Maria, em Boca da Mata, para comunicar o desaparecimento da jovem. Os irmãos rapidamente vieram para Maceió saber o que havia acontecido, mas eles já desconfiavam que algo de ruim pudesse ter ocorrido. O delegado que investiga o caso, responsável pela localização do corpo e prisão de Argemiro, Robervaldo Davino, do 4º Distrito Policial, informou, passo a passo, como a polícia chegou ao assassino da jovem. Segundo ele, no dia 16 de setembro, um feriado, Jailson, irmão de Ana Maria, registrou um boletim de ocorrência (BO) no 4º DP, onde estava de plantão o delegado Waldir de Carvalho. Ele denunciava o sumiço da irmã. No dia anterior, Argemiro já havia ligado para a família comunicando o desaparecimento de Ana. ### Advogado: ambos tinham ciúmes O que a polícia quer saber agora é se Argemiro agiu sozinho, já que ele foi aposentado por invalidez por ter sofrido um acidente e ter limitações em um braço. Outra questão que intriga a polícia é a presença de familiares de Argemiro na casa. Segundo Davino, testemunhas revelaram que, no sábado, o filho do aposentado esteve no imóvel e, no domingo, o neto. Além disso, quando o corpo foi encontrado, Ana Maria estava de pijama, portanto não poderia ter chegado às 23h30, como diz Argemiro, e iniciado imediatamente uma briga. A reportagem da Gazeta tentou falar com Argemiro Alves na delegacia onde permanece preso desde que confessou o crime. Ele se recusou. O advogado do aposentado, Alexsandro Farias de Omena, disse que ele está bastante abalado e ?mostra-se completamente arrependido?. /// Argemiro Alves e Ana Maria: ela se apaixonou por ele quando tinha apenas quinze anos. Foto: reprodução