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ALERTA AMBIENTAL

Sem Sombra: carência de áreas verdes em AL compromete o bem-estar nas cidades

Estado ocupa a 12ª posição no ranking nacional dos que possuem a menor área de vegetação urbana, com apenas 5,4%

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Criação e a manutenção de parques e praças diminui carência de áreas verdes
Criação e a manutenção de parques e praças diminui carência de áreas verdes | Foto: Alisson Frasão / Secom Maceió

Com tantas variações climáticas que tem provocado o aumento da temperatura, encontrar ruas e parques arborizados deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ser uma necessidade urgente.

A arborização urbana ameniza o calor e também melhora a qualidade do ar, aumenta a permeabilidade do solo e fornece abrigo e alimento para animais silvestres. Em Alagoas, no entanto, a carência de áreas verdes nas cidades acende um sinal de alerta para o bem-estar da população e o desenvolvimento sustentável.

O Estado ocupa a 12ª posição no ranking nacional dos que possuem a menor área de vegetação urbana, com apenas 5,4% de cobertura verde nas cidades. Segundo dados de um estudo realizado com imagens de satélite de alta resolução e informações do Open Street Map, o cenário alagoano está entre os mais preocupantes do País.

Com relação aos municípios, Campestre, no interior de Alagoas, se destaca negativamente como o sexto pior do Brasil em cobertura de vegetação urbana, com apenas 1,08%, além de figurar na mesma posição em relação à presença de praças públicas.

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A prefeitura de Campestre reconheceu, por meio de nota, que, assim como outras cidades da região, o município cresceu de forma desordenada e sem planejamento, o que resultou na falta de áreas verdes e praças. No entanto, diz que nos últimos oito anos, a administração municipal tem se empenhado em melhorar essa realidade. A gestão cita como exemplo a construção de sete novas praças, além da única que já existia, e diz que em todas houve o cuidado de plantar árvores.

A vegetação urbana inclui desde espécies rasteiras até árvores de grande porte, localizadas em parques, praças, calçadas, jardins, telhados verdes, canteiros ou até mesmo áreas abandonadas.

HERANÇAS HISTÓRICAS

Para Flávia Araújo, professora de Projeto de Paisagismo na Ufal, as cidades alagoanas carregam heranças históricas que influenciam diretamente o déficit de vegetação urbana. Ela explica que práticas coloniais e desenvolvimentistas privilegiaram espaços públicos sem vegetação abundante, como as chamadas “praças secas”. Essa tradição, segundo ela, consolidou a visão de que cidade e natureza eram opostos. “Não podemos esquecer que nós, seres humanos, também somos natureza, e a cidade deveria ser uma extensão da floresta”, afirmou.

Flávia reforça que apenas a presença de praças não garante qualidade ambiental. “Áreas verdes não podem ser tratadas isoladamente, sem considerar a fauna que abrigam, a qualidade do solo e das águas que as sustentam. A regeneração de vegetação nativa e o manejo adequado são fundamentais para garantir equilíbrio ambiental nas cidades”, comenta.

Além disso, a professora destacou a necessidade de atenção à escolha das espécies vegetais. A introdução de plantas exóticas em detrimento das nativas pode desequilibrar o ecossistema e inviabilizar a regeneração de biomas. “A escolha inadequada de espécies arbóreas também compromete a arborização urbana, resultando em cortes devido ao crescimento excessivo ou a problemas como a deformação de calçadas,” acrescenta.

Para a especialista, a regeneração e preservação das áreas verdes dependem de uma ação conjunta entre poder público e sociedade. “Não depende apenas de gestores, mas também de ações comunitárias, educação ambiental nas escolas e iniciativas públicas e privadas para valorizar nossa biodiversidade”, completa.

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