Cidades
Prefeitura � acusada de ignorar meninos de rua
A Prefeitura de Maceió não tem interesse em resolver o problema dos meninos e meninas de rua. Essa é a afirmação do coordenador do Instituto Catarse, Walmar Buarque, ao discutir o apoio do poder público a projetos que trabalham com menores carentes. Ele acusou, ainda, o Executivo municipal de não tomar nenhuma atitude para impedir a mendicância nas ruas da capital. Segundo Walmar, não há nenhum tipo de apoio da prefeitura para os projetos que trabalham com meninos de rua. ?Nós procuramos o poder municipal para pedir uma contribuição, como mão- de-obra e estrutura física, mas não obtivemos resposta. Mas se formos a repartições públicas podemos ver muitos funcionários sentados sem fazer nada?, declarou. ?A política adotada pelo governo municipal é de deixar os menores na rua para que sejam sustentados pela população. Até parece que não há um secretariado responsável pela Assistência Social aos meninos de rua?, atacou o coordenador do Catarse, instituição não-governamental que trabalha com meninos e meninas de rua em Maceió. Walmar afirmou, ainda, que se houvesse um abrigo público para os menores carentes, eles não estariam nas ruas usando drogas e cometendo delitos. ?É normal que esses garotos, excluídos da sociedade e esquecidos pelo poder público, utilizem substâncias entorpecentes, uma vez que não recebem educação e nem têm uma referência familiar?, explicou. O coordenador do Catarse citou exemplos de capitais nacionais que fazem uma campanha contra a mendicância para evitar que os menores sejam explorados pelos pais. ?Em nossa cidade é o contrário. Em toda esquina podemos ver meninos pedindo esmolas, enquanto a mãe assiste e conversa com outras exploradoras?, ressaltou. Guerra Judicial Walmar lamentou a guerra judicial que o Catarse está enfrentado contra ex-voluntários da casa, que entraram na Justiça para exigir o pagamento de direitos trabalhistas. ?Eles são uns picaretas que sabiam do teor de nosso trabalho, mas agora tentam extorquir dinheiro de quem não tem. Mas esperamos que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não cometa uma injustiça?, declarou. De acordo com ele, a ex-presidenta do TRT, juíza Maria Helena e Melo, disse que ele ajudava os meninos de rua porque queria, uma vez que a obrigação legal é do poder público. ?Cheguei à conclusão que a Lei Federal do Voluntariado não tem nenhum valor na prática?, salientou. O coordenador do Catarse também não poupou críticas à educação na rede estadual de ensino. Ele alega que os meninos assistidos pela casa muitas vezes não encontram vagas nas escolas do Estado. ?Temos um colégio que acompanha os alunos até a 5a série. Depois disso, temos de encaminhá-los para instituições públicas, e é aí que começa a nossa maior batalha, uma vez que não conseguimos vagas?, explicou Walmar. Ele relatou que um dos meninos do projeto conseguiu passar no último vestibular da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no curso de Letras. Mas cinco internos não obtiveram êxito nas provas.