Cidades
Espa�os viram condom�nios fechados
As placas instaladas em altas grades de segurança anunciam a presença de crianças e pedem respeito ao limite de velocidade ? 20 km. Mas você não está diante da portaria de um condomínio fechado, e sim de uma das dezenas de ruas de Maceió onde os moradores criaram um meio muito peculiar de se proteger da violência urbana: eles simplesmente fecham a rua e instalam guaritas para restringir o acesso de pessoas à via, até então pública. A quantidade de ruas com essas características tem crescido a cada dia na capital e há muito tempo deixou de ser exclusividade dos bairros periféricos, para fazer parte do cenário urbano em bairros próximos à região central da cidade, como Feitosa e Serraria. Neste último, até mesmo conjuntos considerados de classe média alta, como o Murilópolis, já adotaram esse tipo de providência. ### Código estabelece fechamento de ruas O diretor técnico da SMCCU explica que os casos onde a ocupação de uma área pública é permitida estão previstos e regulamentados no Código de Urbanismo e Edificações do Município, onde está exposto o que pode e o que não pode ser feito com a concessão pública. É na Subseção 8, onde estão concentrados os artigos 211 a 225, que os técnicos da SMCCU encontram subsídios para fiscalizar as áreas. No artigo 215, por exemplo, é citada a possibilidade de instalação de mecanismos para controle da acessibilidade ao sistema viário do loteamento por meio da utilização de portões, portarias e guaritas. No parágrafo 4° do mesmo artigo, o texto define a altura máxima de três metros para os equipamentos de fechamento do loteamento. ### Grades escondem histórias de violência Por trás de cada gradeado, muro ou guarita levantados em meio à via pública, com ou sem permissão dos órgão regulamentadores, estão históricos de violências e traumas divididos entre os vizinhos. Na rua onde a aposentada Anete da Hora Cunha, de 78 anos, viu os filhos nascerem e crescerem, no bairro do Feitosa, a calmaria dos idos de 1980 há tempos deu lugar à ação de assaltantes e pequenos infratores que tiram o sossego da comunidade. ?Aqui todo mundo se conhece, somos uma família e sofremos quando os bandidos atacam. Da última vez que apareceram, invadiram a casa de uma família querida com o bebê recém-nascido e provocaram pânico ameaçando todos eles de morte?, lembra dona Anete. ///