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Memorial abandonado na Serra da Barriga

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União dos Palmares ? Um projeto faraônico de um milhão e meio de reais ?adormece? no alto da serra símbolo de luta e resistência contra a escravidão no Brasil. Inaugurado há um ano, num dia de festa, com a presença do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, governador, prefeitos e tantas outras autoridades, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares, virou uma realidade esperada desde os anos 80. A promessa era transformar o espaço em uma rota do turismo étnico, na qual já se encontra a cidade de Salvador (BA). Mas, doze meses depois, sem os prometidos projetos turísticos e culturais que mantenham o parque em atividade, o lugar fica quase vazio o ano todo. ### Buracos dificultam acesso ao projeto União dos Palmares ? O acesso até a Serra da Barriga não é dos melhores. Em vários trechos, a estrada está danificada e os buracos dificultam a passagem. Em dias de chuva, subir os nove quilômetros que levam ao platô, nem pensar. Durante todo o inverno, a serra de 530 metros fica deserta. Quem mora lá desce e sobe a pé; quem pretende visitar o lugar onde os quilombolas constituíram uma espécie de Estado, tem que esperar a chuva passar para poder conseguir subir a serra. Nessa época do ano, as visitas são constantes. Atraídos pela história e pela data comemorativa, estudantes e curiosos de municípios vizinhos, de Maceió ou de Estados próximos, sobem a Serra da Barriga para reviver o passado. A questão é: sem atrativos, além do próprio sítio histórico, e dos equipamentos que compõem o memorial, as visitas se limitam à época da data festiva. ### Parque consumiu R$ 1,5 milhão Um processo lento. É dessa forma que o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e membro do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, Zezito Araújo, entende os passos que levarão até que todas as etapas do projeto estejam em pleno funcionamento. ?Jamais poderemos olhar aquele espaço como um ponto turístico como Penedo, Marechal Deodoro. Ali, a referência não é a arquitetura, mas a história de luta contra uma classe dirigente que escravizou esse País e que destruiu tudo o que ali foi construído?, diz Zezito. O primeiro momento de resgate dessa história, diz ele, foi a designação de uma empresa para viabilizar os estudos para o tombamento da Serra da Barriga, nos anos de 1980. ### Limpeza e vigilância custam R$ 20 mil União dos Palmares ? Manter o memorial tem custo. Mensalmente são gastos R$ 20 mil, disponibilizados pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura e cuja sede é em Brasília. O dinheiro é usado para pagar a empresa responsável pelos serviços de limpeza do local e segurança. Foi dada preferência aos moradores da região, que encontraram no memorial uma forma de ganhar dinheiro e se manter. Alguns nunca tinham trabalhado, como é o caso da dona-de-casa Rosângela Maria Maceno de Moraes, 42 anos, mãe de sete filhos. Ela diz que deixou o Clima Bom, em Maceió, há 15 anos após pedir a Deus um lugar menos violento e onde tivesse trabalho para criar os filhos junto com o marido, que estava desempregado. ///

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