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Tr�fico acorrenta crian�as em favelas

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Maceió tem 126 favelas registradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quatro delas se espalham pelo Dique Estrada com 1.680 barracos. Uma das mais conhecidas é a Sururu de Capote, onde cerca de 700 famílias tentam sobreviver. Entre os becos e vielas, uma porta trancada de cadeado. Do lado de dentro, dois irmãos de 10 e 11 anos passam boa parte do dia acorrentados. ?Eles começaram a fumar maconha e pedir dinheiro nas ruas com 7 anos. Pouco tempo depois já estavam passando (vendendo drogas) e assaltando com facas, mas quando descobri que estes cabrinhas andavam com um revólver, resolvi usar a corrente?, revela a mãe dos garotos, que costumam ser acorrentados na favela. ### Consumo de drogas passa de geração em geração Ao invés de brincar ou ir à escola, os dois filhos da dona-de-casa Rosimeiry da Silva, 34 anos, são acorrentados toda vez que a mãe sai de casa. Revoltada com a solução drástica, ela não poupa críticas ao poder público. ?O governo nunca se mexeu para tirar essas crianças das drogas e o conselho tutelar já veio aqui várias vezes e foi mesmo que nada?, reclama. Rosimeiry sabe muito bem o tipo de futuro que aguarda os meninos de 10 e 11 anos de idade. Há cerca de um ano, ela ficou internada duas semanas no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) por causa dos efeitos do crack. ?Quase morro, fiquei muito fraca, não tomava banho e sentia muitas dores por dentro?, revela Rosimeiry, garantindo que desde então largou o vício. ### Meninas vivem risco da prostituição A visão amarga da favela contrasta com os doces passos de quatro pequenas bailarinas que saltitam no terreno acidentado. A leveza das sapatilhas deixa marcas entre o peso do lixo e da lama. Maquiadas e vestidas de rosa, com meiões e tocas, as meninas deixam para trás o ambiente inóspito e vão ensaiar passos numa sala cheia de espelhos ao som de Tchaikovsky. O projeto social desenvolvido pela congregação italiana São José de Pinerolo beneficia um grupo de cinqüenta meninas que moram no Dique Estrada e é uma das poucas alternativas para prevenir o uso de drogas. Oito delas participam do balé, as demais fazem aulas de canto, teatro, pastoril, artesanato e coreografia. A freira que coordena o projeto, Irmã Deusailda de Souza, lamenta porque ainda não tem estrutura para atender os garotos. ?As mães não sabem mais o que fazer e prendem eles com correntes?, confirma a religiosa. ### Grandes traficantes estão fora da favela Na tradicional brincadeira de polícia e ladrão, apenas uma das crianças do grupo entrevistado pela Gazeta fica do lado da lei. ?O melhor mesmo é ser bandido, a gente se junta e mete o cacete na polícia?, atalha um outro, que ouve o depoimento do colega. Algumas meninas entram no jogo e preferem brincar como mulher de vagabundo. ?Mulher da malandro às vezes apanha, mas é melhor do que ser casado com polícia?, explica uma das garotas. Mas quando meninos e meninas se juntam, a brincadeira preferida é chamada de ?pegou beijou?. ?Eles fazem sexo entre eles e o problema é que a gente não pode dar nem a camisinha porque fica folgada?, afirma Vânia. ?O meu filho de 10 anos já está com a pinta cheia de caroço?, reforça Sandra. ///

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