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TECNOLOGIA

Da segurança à agricultura: drones tomam o céu de Alagoas

Número de aeronaves não tripuladas cresceu 750% nos últimos cinco anos no Estado

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A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou dispor de cerca de 10 drones
A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou dispor de cerca de 10 drones | Foto: THIAGO SAMPAIO

Maceió, 9 de abril de 2016. Sábado à noite. O capitão Rodrigo Moreira Rodrigues, da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), está em cima do muro de uma casa cujo morador se recusa a atender a uma ordem da polícia. O dono do imóvel atira. O capitão é atingido no pescoço e morre. A exposição de profissionais ao risco é uma realidade em várias carreiras, especialmente na segurança pública. Mas um novo aliado tem se popularizado para que casos como esse não voltem a se repetir: os drones.

De todos os tamanhos, modelos e funcionalidades, as aeronaves não tripuladas têm ocupado o céu de Alagoas e a linha de frente em diversos trabalhos. Na Polícia Civil, o agente Flávio Fox é o responsável pelo Departamento de Aeronave Remotamente Pilotada (Darp). Ele explica que a corporação possui drones com capacidade de detectar a temperatura do ambiente e, assim, identificar a presença de pessoas em determinado local. Segundo ele, os equipamentos auxiliam no cumprimento de mandados judiciais e na varredura de áreas.

Os aparelhos precisam ser solicitados pelas unidades da Polícia Civil, que já conta com 200 agentes capacitados para operá-los. Além disso, policiais militares e membros da sociedade civil também foram capacitados em projetos sociais. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou dispor de cerca de 10 drones.

Não há espaço para uma instituição policial que não acompanhe os avanços tecnológicos. A Polícia Civil de Alagoas está investindo em modernização de caráter geral, que inclui, também, a aquisição futura de computadores de última geração e câmeras para captação e transcrição audiovisual, entre outros

Gustavo Xavier - Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas

No âmbito da Polícia Federal (PF) em Alagoas, os drones também já são empregados. Embora não informe a quantidade, a PF afirma que utiliza os equipamentos para atividades como levantamento de informações sobre terrenos, residências, movimentação de alvos, e verificação de ocorrências diversas, como trabalho análogo à escravidão, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e crimes eleitorais.

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Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou possuir drones, mas que ainda não os utiliza na fiscalização. “Ainda iremos passar por treinamento para iniciar o uso. Ainda precisamos vencer alguns entraves burocráticos”.

Para além da segurança, outros órgãos também se valem das aeronaves não tripuladas. A Defesa Civil de Maceió utiliza a tecnologia para auxiliar em ocorrências. Em locais de difícil acesso, onde não é possível visualizar completamente a área afetada, drones são acionados para proporcionar uma melhor avaliação.

Um dos equipamentos utilizados tem alcance de até 10 km entre o ponto de decolagem e o ponto mais distante alcançado durante o voo. “O DJI Matrice 350 RTK é um drone com resistência a condições climáticas adversas, como chuvas e ventanias, e suporta temperaturas extremas, em casos de incêndios”, detalha a assessoria da Defesa Civil.

“O outro equipamento é o drone DJI Mavic 3T e, apesar de ser de menor porte, é equipado com uma câmera termal e zoom híbrido de 56x, o que proporciona melhor desempenho em inspeções prediais e encostas”, completa.

Equatorial Energia realiza esse tipo de operação desde 2022
Equatorial Energia realiza esse tipo de operação desde 2022 | Foto: - Foto: Assessoria

Quem também adota essa tecnologia é a Equatorial Energia, que realiza esse tipo de operação desde 2022, auxiliando diretamente as equipes de campo. O superintendente operacional da Equatorial Alagoas, Thiago Attias, ressalta que o uso dos drones permite observar a rede elétrica sob diferentes ângulos.

Na agricultura, a Cooperativa Pindorama informou que utiliza as aeronaves na soltura de microbiológicos, pulverização de herbicidas, controle de pragas, aplicação de fertilizantes foliares e maturadores de cana.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, em 2017 — quando a quantidade de drones começou a ser contabilizada no Brasil —, Alagoas possuía 62 registros em junho, encerrando aquele ano com 139. O número saltou para 527 em abril de 2022, quando a agência deixou de contabilizar os equipamentos por estado. Nesse intervalo, entre junho de 2017 e abril de 2022, o crescimento foi de 750%.

Na última sexta-feira (18), a Anac encerrou uma consulta pública para atualizar as regras de operação de drones no Brasil. Uma das principais mudanças sugeridas é o novo critério de classificação dos aparelhos, que passaria a considerar o risco da operação, e não mais apenas o peso do equipamento. Outra novidade é a criação do Cadastro de Operador na Categoria Específica (COE), que será obrigatório para algumas modalidades.

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