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DIA DOS PAIS

PAIS QUE INSPIRAM: Histórias de dedicação, superação e amor

Entre desafios e perdas, três pais alagoanos mostram força e empenho no dia a dia com os filhos

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Jailson Teles é pai de Jonathan, Sofia e Natan
Jailson Teles é pai de Jonathan, Sofia e Natan | Foto: — Foto: Acervo pessoal

Neste domingo (10), Dia dos Pais, celebramos não apenas a presença, mas a entrega. Em tempos em que a paternidade ganha novos contornos, três histórias mostram que ser pai é muito mais do que estar ali: é estar por inteiro.

Na orla, entre castanhas e doces, Jailson Teles encontra tempo para cuidar dos três filhos — Jonathan, 4 anos; Sofia, 9; e Natan, 15 —, dois deles com Transtorno do Espectro Autista, e um com TDAH e dislexia. A rotina é intensa, mas ele e a esposa dividem os cuidados, as terapias e os momentos de afeto com dedicação e parceria.

“Estava trabalhando como motorista por aplicativo, mas não tinha tempo para ficar com meus filhos. Então, há dois anos, busquei um trabalho que me deixasse com mais tempo livre. Minha esposa fazia doces em casa e estava doente, foi então que comecei a ajudá-la e hoje vendo os produtos na orla, junto com castanhas”, relata.

Com a mudança, Jailson pode passar mais tempo em casa e dividir os cuidados, principalmente com o mais novo, que faz terapias. “Levo ele às terapias e também faço os exercícios que aprendi com os profissionais em casa. Minha filha faz tratamento com psicólogo e também precisa de muito acompanhamento nas tarefas escolares, e o mais velho também necessita de atenção”, afirma.

Para o vendedor, a paternidade é uma novidade, já que é filho de mãe solo. “Nunca soube o que era um Dia dos Pais antes de ser um. Fui abandonado pelo meu pai e decidi que meus filhos nunca iriam passar por isso. Eu sempre vou dar o meu melhor pra eles”, completa.

Erasmo com a filha Analu de 4 anos
Erasmo com a filha Analu de 4 anos | Foto: — Foto: Acervo pessoal

MUITO ALÉM DO “PAPAI”

Erasmo Pessoa, advogado e pai da pequena Analu, de 4 anos, acredita que ser pai é mais do que um título bonito: é presença ativa. Ele diz que compartilha as responsabilidades com a esposa e faz questão de estar nos momentos que realmente contam — os cotidianos, simples, que constroem memória.

Para ele, a paternidade não se resume ao papel social ou à palavra carinhosa que escuta todos os dias. “Ser chamado de ‘papai’ pela minha filha Analu é uma das maiores alegrias da minha vida. Aquela vozinha doce é capaz de transformar qualquer dia”, diz.

Erasmo ressalta que o vínculo precisa ser cultivado com dedicação diária. “Ser pai é estar ali de verdade, ouvindo, olhando nos olhos, compartilhando o dia, mesmo nos silêncios”, afirma.

O advogado acredita que a conexão entre pais e filhos se constrói nos detalhes: nas histórias inventadas antes de dormir, nas brincadeiras no chão da sala, nos cuidados, nos momentos em que o tempo desacelera e o afeto se manifesta sem pressa.

Inspirado por sua fé, ele diz seguir o exemplo do Pai celestial como referência de presença constante e amor incondicional. Reconhece, porém, que, para os homens, esse vínculo exige esforço e entrega. “Para as mães isso é natural, já nós, pais, temos que desenvolver e conquistar”.

Diego com a filha Mel, de 4 anos
Diego com a filha Mel, de 4 anos | Foto: — Foto: Acervo pessoal

“A PATERNIDADE ME TRANSFORMOU”

Já Diego Nerys, empresário, precisou reinventar a própria vida quando perdeu a esposa para a Covid-19, apenas dez dias após o nascimento da filha. Desde então, ele se desdobra entre o trabalho e os cuidados com Mel, hoje com quatro anos, contando com o apoio da família, mas assumindo com coragem e muito amor o papel de pai e mãe.

“A paternidade me transformou, diria até que me deu uma nova vida, desconhecida para a maioria dos pais, na mesma proporção que a ‘vida normal’ de um pai é desconhecida para mim. Me trouxe um misto de sensibilidade e cuidado extremo, principalmente por ser pai de uma menina, a mais linda do universo!”, afirma.

Sobre a criação sem a esposa, diz que sua ausência mudou totalmente os planos. “No início notei a preocupação de como eu iria por em prática tudo o que tínhamos planejado para a criação de nossa filha sem ela estar presente. Com o tempo e, também, graças à minha rede de apoio, que foi e é crucial nessa jornada, as coisas foram ficando mais leves. A vida foi acontecendo e ensinando por si só que o fato de ter uma criança feliz, alegre, cheia de amor e saúde, bastava”.

Em meio à rotina de cuidados, brincadeiras e momentos de conexão, Diego compartilha um hábito especial: dormir ao lado da filha. “Desde que nos mudamos, quando ela tinha apenas dois meses, ela dorme comigo. Mesmo tendo seu próprio quarto, no meu há uma cama só para ela. Tanto ela se acostumou quanto eu. Gosto de sentir o cheirinho dela, ouvir sua respiração tranquila, os espreguiços suaves, como se dissesse: ‘Por hoje deu, vou dormir para amanhã brincar mais’”.

Quando perguntado sobre o que a paternidade representa hoje, ele responde com firmeza: “Representa vitória. É saber que estou dando continuidade à vida, e que essa vida merece o melhor de mim. Ter uma família, para mim, é o ápice da capacidade de um homem. Sou realizado por ser pai, ainda mais por ser pai de uma menina!”, completa.

NOVA GERAÇÃO

A educadora parental Camilla Tenório analisa que os pais estão cada vez mais envolvidos no cuidado com os filhos e com a casa, dividindo as responsabilidades com a mulher. “A nova geração de pais não quer ser herói, quer ser presente. Não por obrigação, mas porque entendeu que isso não é favor, é fundação.”

Ela descreve um perfil de pai que não foge do caos, que troca fraldas e também troca olhares, que segura o filho no colo e encara as próprias dores. “É o pai que abre espaço dentro de si para um amor que desorganiza e reorganiza tudo o que ele achava que sabia sobre ser homem”.

Segundo Camilla, quando esse pai escolhe estar inteiro, não só no corpo, mas na alma, ele planta raízes de segurança emocional que acompanham os filhos por toda a vida. “A psicologia já sabe: crianças que crescem com figuras paternas afetivas e presentes desenvolvem mais autoestima, empatia e autonomia”, completa.

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