Cidades
Moradores de favela na lagoa convivem com mis�ria e doen�as
As famílias que vivem nos muitos barracos construídos à beira da lagoa, na chamada Favela do Sururu, no Dique Estrada, são obrigados a conviver com muita lama e águas fétidas. Parte dos casebres daquela área fica, literalmente, dentro d?água sempre que chove. Para quem vive nessa situação, como a senhora Maria das Dores, não resta muita alternativa a não ser acostumar-se a conviver com o mau cheiro, a água suja, os ratos e baratas que transitam dentro de casa, e com todo tipo de doenças que esse contato traz. ?Não tem como escapar. Só saindo daqui. Mas por enquanto não temos para onde ir?, diz Luzinete Caetano, outra moradora da favela. Pelo menos a promessa já existe. Eles devem ser removidos em breve para um conjunto que está sendo construído na Cabo Reis. Enquanto isso, cada um se vira como pode. Para se livrar da água no colchão, Severino Nelson construiu um ?puleiro? com mais de dois metros de altura para dormir com a esposa nas épocas de cheia. Na última cheia o filho de 11 anos de Maria das Dores ficou doente após o contato com a água do canal das águas negras que invadiu sua casa, na beira da Lagoa Mundaú. Diagnóstico: leptospirose. Como tinha visto os sintomas na televisão, ela levou a criança ao Hospital de Doenças Tropicais (HDT), onde ficou internado e foi tratado. Há várias semanas a filha de 4 meses de Luzinete Caetano começou a criar crostas na pele de todo o corpo: germe adquirido com a sujeira do canal, cujas águas inundaram seu barraco com as últimas chuvas.