Cidades
MPF sugere aumento de policial em AL
Porto seguro para defesa do dinheiro público num oceano de corrupção, a Polícia Federal (PF) executou ações que deixaram Alagoas atônita em 2008. Após algemar e prender deputados, seqüestrar bens e ajudar a devolver milhões de reais aos cofres públicos em operações com nomes originais como Taturana e Bengala, fica difícil observar os problemas da instituição no Estado. Mas eles existem e são muitos, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Um documento assinado por dez procuradores da República apresenta uma série de argumentos que fazem submergir a idéia de uma PF implacável e exemplar. Diante das falhas encontradas, o MPF em Alagoas recomenda que a direção geral do órgão adote medidas urgentes ? com prazos definidos ? para aumentar o efetivo no Estado, instalar uma delegacia em Arapiraca e melhorar as condições de atendimento aos presos sob custódia federal. ### Ação ineficaz no combate a assaltos A recomendação também declara que é notória a carência de resultados na apuração de roubos praticados contra as agências da CEF (Caixa Econômica Federal), especialmente no Agreste e no Sertão de Alagoas e enfatiza: ?A União é o ente político que sustenta a estrutura da Polícia Federal, haja vista ser atribuição dessa o exercício de Polícia Judiciária da União?. O inquérito do MPF registrou quinze assaltos a agências dos Correios só no primeiro semestre de 2008. Entre 2003 e este mesmo período de 2008, foram 89 roubos praticados contra agências dos Correios e 14 contra transportes de valores do Banco Postal. ?A PF não obteve êxito na apuração da autoria de quase a totalidade dos referidos delitos praticados contra a empresa pública federal?, declaram os representantes da União. ### Procurador já não propunha inquéritos A ineficácia da Polícia Federal nos municípios do Sertão e Agreste chegou a tal ponto que o então procurador da República em Arapiraca, Daniel Ricken, revela que nem pedia mais a instauração de inquéritos. ?Não acontecia nada, não tinha investigação nem diligência, nada era realizado que preferimos adotar procedimentos investigatórios dentro do Ministério Público Federal?. Transferido no fim de 2008 para Santa Catarina, sua terra natal, Ricken foi o principal responsável pelo inquérito do MPF e pela recomendação encaminhada ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. ### Luna reconhece: situação é caótica O superintendente da Polícia Federal em Alagoas, José Pinto de Luna, já chegou ao Estado em dezembro de 2007 com a fama de possuir duas características marcantes: ter vocação para ?descascar grandes abacaxis? e não ter ?papas na língua?. Ao ser questionado sobre a recomendação do MPF, ele faz jus a este perfil e não esconde as dificuldades enfrentadas. Em cerca de três horas de entrevista exclusiva à Gazeta, Luna classifica o efetivo em Alagoas como caótico, informa que muitos funcionários do quadro são ?velhinhos que não sabem passar fax nem têm idéia do que é um site?, que os melhores profissionais, aprovados em concurso, ficam pouco tempo porque o salário é baixo, revela uma tentativa de fuga nas vésperas do Natal e a perda de oito delegados em 2008, rebate as críticas à atuação em crimes estaduais e afirma que a recomendação do MPF não tem efeito prático. ### ?Medida judicial sem efeito prático? A recomendação do MPF para aumentar o efetivo e criar a delegacia em Arapiraca não deve trazer nenhum resultado, na avaliação do superintendente Pinto de Luna. ?Enalteço a preocupação do Ministério Público, mas essa medida judicial não tem efeito prático porque o Executivo é quem resolve, a decisão é política, se o presidente Lula da Silva disser que quer uma delegacia em Coité do Nóia, ela será implantada imediatamente?. O delegado da PF concorda com as considerações dos procuradores da República e defende a implantação da delegacia no interior. ?Há muito já devia ter aberto a sede da PF em Arapiraca, lá já tem sede do MPF e da Justiça Federal, nós já alertamos para isso, mas não adianta ficar esperneando?. ///