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Esgotos amea�am sa�de de banhistas

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Em meio à beleza das praias, com seus tons de verde e azul, a interferência de um elemento dissonante quebra a harmonia do que parece ser um pedaço do paraíso e alerta para um problema que há muito precisa ser resolvido: as línguas de esgoto. A Gazeta percorreu as praias de Cruz das Almas, Ponta Verde e Avenida ? sendo esta última o caso mais emblemático ? e encontrou cinco pontos com o problema, dois deles em processo de formação, e muitas reclamações de comerciantes e turistas. Para agravar o quadro, as obras para construção do subsolo de dois prédios na Jatiúca deram um desagradável tom amarelado ao mar, em virtude da grande quantidade de ferro existente na água que foi retirada do local e escoada para a praia. ### Empresários tentam esconder problema ?Isso aí é uma coisa horrível de Maceió. Trabalho nessa praia há 23 anos e ninguém nunca resolveu o problema. Entra prefeito e sai prefeito, o esgoto está sempre sujando as nossas praias?, criticava Oziel Silvestre, que trabalha com aluguel de cadeiras na Praia de Ponta Verde. Ele reclamou que ainda não foi realizado um trabalho para resolver definitivamente a pendência do lançamento de dejetos no mar. Mesmo insatisfeito, mostrou-se descrente de que algo será feito. ?Mas sabe como é, aqui é área nobre, moram juízes, desembargadores e é difícil alguém mexer na situação desses prédios, porque todo mundo sabe que a sujeira vem desses apartamentos?. ### Turistas ficam indignados com poluição na Avenida Um misto de encantamento e indignação. Foi com essa sensação que os turistas paraibanos Helton Willian e Luana Leal assistiram a um pôr-do-sol na Praia da Avenida, em frente ao local onde o riacho Salgadinho deságua no mar. O ponto guarda a ?língua de esgoto? mais clássica da cidade, aquela que conseguiu afastar todos os banhistas conscientes. ?Aqui não deixa de ser um ponto turístico, veja só o transatlântico. É com a praia nesse estado que os turistas estão se deparando?, criticou Helton. Ainda na Praia da Avenida, várias pessoas não se incomodavam com a poluição que chegava ao mar através de uma ?boca de esgoto?. Alguns garotos jogavam futebol, outros aproveitavam as ondas e faziam manobras radicais em suas pranchas de surf, um morador de rua dormia e havia até um pescador solitário, que preferiu não ser incomodado em seu hobby de militar aposentado: ?Às vezes, eu levo pra casa umas pirarobas de até um quilo. E eu como o peixe, sim, cozido ou frito?. ### Despoluição vira jogo de empurra Por outro lado, o riacho Salgadinho pode voltar a ?respirar? se a parceria entre governo do Estado de Alagoas e Prefeitura de Maceió der certo. Prometido e planejado há várias gestões, o trabalho de despoluição do Salgadinho já tem previsão para ser concluído ? provavelmente em 2010 ? e uma verba de R$ 120 milhões, mas também algumas pendências para resolver. ?Existe um grande projeto para despoluir o Salgadinho, que será executado pelo governo, que vai se responsabilizar pela parte de habitação e desapropriação das residências, e pela prefeitura, que vai cuidar do saneamento. Só que a parte do governo não andou e ficou naquele jogo de empurra?, critica o secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente, Ricardo Ramalho. ///

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